Análise: Avenged Sevenfold - Nightmare (2010)


Nightmare marca o regresso dos Avenged Sevenfold aos lançamentos depois do aclamado álbum homónimo de 2007, que colocou o colectivo de vez na rota do sucesso, e da conturbada morte do excelente baterista Jimmy “The Rev” Sullivan, em Dezembro de 2009.

Para o lugar de Jimmy, a banda chamou Mike Portnoy, um talento inegável atrás dos timbalões, mais famoso por ser o virtuoso baterista dos também virtuosos Dream Theater. Portnoy era também um ídolo de Jimmy portanto acabou por ser uma homenagem ao falecido “The Rev” o convite de Portnoy por parte da banda. Tal como “The Rev”, Portnoy é exímio nas baquetas. O mesmo pode ser dito do guitarrista Synyster Gates que destila qualidade na abordagem que faz a cada uma das músicas. Da nova geração de guitarristas, arriscamos que é provavelmente o mais interessante, ao conjugar uma boa técnica com uma harmonia invejável.

Analisando as músicas concretamente, temos que admitir que ficámos deliciados com as primeiras faixas do álbum! “Nightmare”, “Welcome To The Family” e “Danger Line” – especialmente esta última – abrem o álbum de forma exímia. Com um metal rápido e enérgico que tem contagiado fãs de ano para ano, os Avenged Sevenfold seguem neste trabalho a linha que lhes granjeou sucesso com o álbum homónimo de 2007 mas introduzindo, aqui e ali, novas e refrescantes ideias e inspirações. Em “Danger Line”, por exemplo, é óbvia a referência ao power metal.

Porém, se o início é perfeito, parece que é a partir da quarta faixa “Buried Alive” com um solo de guitarra inicial a fazer lembrar Metallica, que as coisas se tornam menos geniais e menos surpreendentes. Não que “Buried Alive”, “Natural Born Killer”, “So Far Away” ou “God Hates Us” sejam más músicas. Simplesmente não são tão boas. “Victim” volta a ser um ponto alto mas são a “Fiction”, que nos remete para uma sonoridade semelhante a Muse, e “Save Me” que permitem-nos assegurar que estamos perante um álbum muito bom e obrigatório. Esta última, com quase 11 minutos de duração, é uma das melhores do colectivo e tem que ser adorada por qualquer pessoa que diga que gosta de metal!

Como nota menos positiva deste álbum tão interessante, podemos admitir que talvez preferíssemos que existissem menos baladas – não que tenhamos nada contra baladas, adoramos baladas! – mas sim porque 3 baladas seguidas num álbum duma banda de metal, quebra um pouco a energia que se procura num colectivo como os Avenged Sevenfold. Ainda assim, aplaudimos a introdução de novos elementos que permitiram à banda ir mais além.

Aquilo que mais gostamos nos Avenged Sevenfold é que eles têm uma rara capacidade em misturar muita coisa e saírem bem sucedidos com isso. O som é metal, a atitude é rock. Há preocupações com os coros que conseguem polir as partes mais pesadas das músicas. As secções de bateria estão perto da perfeição e os solos de guitarra são absolutamente bem concebidos.

Podem ser a banda da "modinha" mas não é por isso que gostamos deles... Gostamos deles porque são bons e fazem boa música, com cuidado e talento.


Tracklist:
1. Nightmare
2. Welcome To The Family
3. Danger Line
4. Buried Alive
5. Natural Born Killer
6. So Far Away
7. God Hates Us
8. Victim
9. Tonight The World Dies
10. Fiction
11. Save Me

Músicas em Destaque:
Danger Line;
Save Me;
Fiction;
Victim;
Welcome To The Family
Nightmare;

Nota Final (1/20):
18

Análise: BulletBoys - 10c Billionaire (2009)


Se há álbuns que definem bem aquilo que é um hard rock “kickass”, “10c Billionaire” dos BulletBoys é um deles! Esta banda que marcou timidamente o final da década de 80 com o seu bom glam rock que, infelizmente, acabou consumido na enorme vaga Glam desta época que, tão depressa trazia as bandas mais talentosas à ribalta como fazia bandas que mal conseguiam tocar os seus instrumentos adquirirem uma popularidade pouco merecida. Os BulletBoys não eram nem uma nem outra coisa. Se é verdade que são excelentes músicos a nível técnico, também é verdade que nunca conseguiram conquistar a devoção de fãs e críticos.

Depois de estarem separados há alguns anos, decidiram reunir-se outra vez para a gravação dum disco. Para nós que já conhecíamos o trabalho destes músicos, podemos dizer-vos que este “10c Billionaire” é o melhor disco do colectivo até agora. Sempre a abrir é o termo a utilizar para descrever este trabalho.

A sonoridade mudou um pouco, porém. Aquilo que os Rapazes Bala fazem já não é tão glam como inicialmente mas sim um rock pesado com influências que passam pelo Sleaze (como Beautiful Creatures ou Hardcore Superstar, por exemplo), pelo punk e pelo próprio grunge que parece vir ganhando espaço ultimamente.

De destacar a boa produção do álbum, as boas performances individuais, a boa voz do vocalista Marq Torien e o som das guitarras que está bastante agressivo mas sem que isso torne a música demasiado barulhenta.

Se as guitarras são fortes e cheias de poder, é a voz de Torien que acaba por nos encher os ouvidos da melhor maneira possível.

Os arranjos e as próprias estruturas das músicas remetem-nos muitas vezes para o som grunge dos Soundgarden, Stone Temple Pilots ou Alice In Chains.

As nossas preferências recaem nas poderosas “Asteroid” e “Born to Breed”, na interessante balada “Road to Nowhere” e na “Girls Kissin' Girls” que nos lembra muito o punk divertido dos Ramones.

É daqueles álbuns que nos faz pensar: “Mas porque é que ninguém fala disto se é tão bom e agradável?” As Blitz, as Louds e outras, em vez de continuarem, mês após mês, a publicare novas informações – quando são novas – sobre as mesmas bandas de sempre, deveriam dar espaço às bandas que simplesmente fazem boa música.

É aquilo que o Rock Ends Rolling tenta fazer!

E estes BulletBoys são mais que recomendados!

Tracklist:
1. Asteroid
2. Blessed By Your Touch
3. Born to Breed
4. Bringing Home the Gun
5. Girls Kissin' Girls
6. Jenna Star
7. Road to Nowhere
8. Save the World
9. Wasted
10. Witness

Músicas em Destaque:
Asteroid;
Girls Kissin' Girls;
Road to Nowhere;
Born to Breed;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Avantasia - Angel Of Babylon (2010)


No seguimento da nossa anterior análise a “The Wicked Symphony” que foi lançado no mesmo dia deste “Angel Of Babylon” começamos por dizer que lamentamos que existam dois álbuns em vez de um. Se existisse apenas um álbum que reunisse as melhores de cada disco, este trabalho que segundo Tobias Sammet encerra a carreira dos Avantasia, seria verdadeiramente épico e um must have para qualquer fã de rock. Mas como isto é estarmo-nos a basear meramente na suposição, começamos por dizer que este disco reúne as mesmas qualidades e defeitos de “The Wicked Symphony”. Também aqui existem músicas com uma qualidade estrema misturadas com músicas com um qualidade mais duvidosa e onde imperam os refrões fáceis e algo desinspirados.

A produção sonora é muito boa tal como são as prestações dos músicos convidados por Tobias para as guitarras e para as percussões. O baixo é assegurado por Tobias Sammet em ambos os discos.

Os convidados para as vozes continuam a ser os brilhantes Jorn Lande (Masterplan); Russel Allen (Symphony X), Michael Kiske (Helloween) e Bob Catley (Magnum). A estes nomes respeitáveis juntam-se ainda Jon Oliva (Savatage), Oliver Hartmann (At Vance) e a belíssima cantora Cloudy Yang, que tem uma importante colaboração neste álbum.

Preferimos este "Angel Of Babylon" em relação a “The Wicked Symphony”. Não que seja substancialmente superior mas sim porque, no total, tem mais músicas que nos agradaram e está mais heterogéneo.

As nossas preferências recaem na “Death Is Just A Feeling” que sendo muito original e divertida, chega a fazer-nos lembrar uma canção para um musical. Gostámos muito de “Blowing Out The Flame” que é uma das melhores power ballads que ouvimos nos últimos anos. Sem ser demasiado lamechas, tem uma melodia muito bela e relaxante.

A “Symphony Of Life” que curiosamente não foi escrita por Tobias Sammet mas sim por Sasha Paeth também é uma das nossas preferidas pois é bastante original, tem uns arranjos modernos mas numa estrutura clássica e funciona muito bem com a voz cristalina de Cloudy Yang. Gostámos também muito da “Alone I Remember” onde Tobias troca o Power Metal pelo Hard Rock de uma forma inteligente e interessante.

Quem tudo quer, tudo perde. É um antigo ditado que pensamos encaixar bem naquilo que Sammet fez em 2010. Ao lançar 21 músicas divididas em 2 álbuns onde cerca de metade tem uma qualidade muito boa e onde a outra metade tem uma qualidade mais dúbia, permite-nos fazer vincar, novamente, que, se tivesse sido lançado um álbum com as 11 melhores músicas das 21, estaríamos perante um dos melhores álbuns de Power Metal de sempre. Como tal não aconteceu, estamos apenas perante um bom álbum dentro desse género.

Tracklist:
1. Stargazers
2. Angel Of Babylon
3. Your Love Is Evil
4. Death Is Just A Feeling
5. Rat Race
6. Down In The Dark
7. Blowing Out The Flame
8. Symphony Of Life
9. Alone I Remember
10. Promised Land
11. Journey To Arcadia

Músicas em Destaque:
Death Is Just A Feeling;
Blowing Out The Flame;
Symphony Of Life;
Alone I Remember;

Nota Final (1/20):
17

Análise: Avantasia - The Wicked Symphony (2010)


Antes de avançarmos para qualquer análise mais concreta ao trabalho de Tobias Sammet e companhia, convém já deixar algo bem claro: este álbum está bem distante daquilo que foi a saga “The Metal Opera”. Apesar do mentor do projecto, Tobias Sammet (vocalista dos Edguy) afirmar que se trata igualmente de um álbum conceptual onde o “The Scarecrow” e o “Angel Of Babylon” fazem parte da trilogia, não nos parece que, nem na parte lírica ou mesmo na musical, exista uma linha conceptual, uma história constante, como existiu nos belíssimos “The Metal Opera I e II”.

Aqui temos um conjunto de músicas bem mais na linha daquilo que os Edguy fazem, do que propriamente naquilo que os Avantasia fizeram nos primeiros dois álbuns. Em “The Wicked Symphony” que foi lançado exactamente no mesmo dia de “Angel of Babylon” – remetendo-nos à altura onde também os Guns n’ Roses lançaram no mesmo dia os álbuns “Use Your Illusion I e II” – voltam a marcar presença nomes grandes do metal como Russel Allen (Symphony X), Jorn Lande (Masterplan), Micheal Kiske (Helloween), Tim Owens (Judas Priest, Iced Earth), Klaus Meine (Scorpions), André Matos (Angra) e Bob Catley (Magnum), entre outros.

A produção sonora e gráfica de todo o álbum é soberba com orquestrações com sons muito minuciosos e detalhes deliciosos. Também os pormenores técnicos dos excelentes músicos que fazem parte da escolha de Tobias Sammet são perfeitos. Há excelentes solos de guitarra em todas as músicas onde salta ao ouvido a qualidade melodiosa e técnica dos guitarristas convidados. Existem igualmente bons detalhes rítmicos nas baterias e percussões.

Convém dizer que, para um amante de Power Metal, este é um álbum indispensável e que não deve ser perdido. No entanto, no cômputo geral, “The Wicked Sumphony” não consegue ser tão especial e genial como os álbuns “The Metal Opera”. As músicas são, regra geral, boas com algumas a evidenciarem uma qualidade acima da média mas existem muitas outras que nos parecem meros “fillers”. Encontramos também algumas músicas que instrumentalmente são interessantes mas que têm refrões que tentam em vão ser orelhudos. O primeiro single do álbum com a participação de Klaus Meine dos Scorpions demonstra o lado pior de todo o disco, para nós.

Atrevemo-nos mesmo a dizer que seria tão melhor que, em vez de lançar dois álbuns no mesmo dia, Tobias Sammet tivesse reunido as melhores músicas de cada álbum e tivesse lançado apenas um disco. Isso sim, seria um passo excelente e, provavelmente o nosso discurso seria outro e teríamos que acabar por considerar o disco como um álbum absolutamente indispensável.

Como não foi isso que aconteceu, a qualidade das músicas tem altos e baixos com a primeira faixa homónima “The Wicked Symphony” a ser uma das nossas preferidas devido à excelente variação a meio da música; tal como as excelentes “Runaway Train” que quase chega a ombrear com as melhores músicas de “The Metal Opera”; “Black Wings” onde temos uma música bem mais negra que as outras e que muito nos agradou e “States of Matter” onde há um equilíbrio perfeito entre o Power e o Heavy Metal.

Posto isto, recomendamos "The Wicked Symphony" apenas aos fãs mais experientes do género Power Metal. Aqueles que estão a dar os primeiros passos neste subgénero ou para os que não conhecerem de todo este tipo de música, ponham os álbuns “The Metal Opera I e II” à frente deste.

Tracklist:
1. The Wicked Symphony
2. Wastelands
3. Scales Of Justice
4. Dying For An Angel
5. Blizzard On A Broken Mirror
6. Runaway Train
7. Crestfallen
8. Forever Is A Long Time
9. Black Wings
10. States Of Matter
11. The Edge

Músicas em Destaque:
The Wicked Symphony;
Runaway Train;
Black Wings;
States Of Matter;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Slash - Slash (2010)


Não nos conseguimos conter: estamos perante um dos melhores álbuns dos últimos anos! Slash cuja brilhante carreira fez dele um dos melhores e mais aclamados guitarristas de todos os tempos, volta ao lançamento de música mas, desta vez, sob a chancela do seu próprio nome. Para além dos Guns n’ Roses e dos Velvet Revolver, Slash já havia lançado o projecto Slash’s Snakepit com dois álbuns mas, segundo ele, este é verdadeiramente o seu primeiro álbum a solo pois, no caso dos Snakepit, o projecto funcionava como uma banda onde cada um dos elementos contribuía no processo criativo.

No homónimo “Slash”, o guitarrista fez tudo conforme a sua mente criativa o incitava a fazer e o resultado não poderia estar melhor. Tendo rodeado-se de inúmeras estrelas de várias áreas da música, Slash oferece-nos um álbum carregado de ilustres convidados. Como banda residente, na bateria temos o multi-galardoado e experiente Josh Freese, baterista dos Nine Inch Nails e A Perfect Circle e no baixo temos Chris Chaney dos Jane’s Addiction.

Cada uma das faixas conta com, pelo menos, uma estrela da música com nomes clássicos como Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Dave Grohl (Foo Fighters e Nirvana), Flea (Red Hot Chili Peppers), Lemmy (Motorhead), Ian Astbury (The Cult), Iggy Pop, Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave), Kid Rock, Nick Oliveri (Queens Of The Stone Age) e até Cypress Hill. Mas também houve espaço para nomes mais jovens embora bastante proeminentes na indústria da música, tanto na vertente pop actual, como Fergie (Black Eyed Peas), Nicole Scherzinger (Pussycat Dolls) e Adam Levine (Maroon 5), como na vertente mais pesada como M.Shadows (Avenged Sevenfold) ou Andrew Stockdale dos Wolfmother.
O elenco é de luxo e até os elementos originais dos Guns n’ Roses Izzy Stradlin, Duff Mckagan e Steven Adler dão o seu contributo em músicas separadas. Apenas Axl Rose não aparece neste álbum...

Uma das principais características no disco é a heterogeneidade. Ainda que a guitarra de Slash seja o elemento comum em cada uma das músicas, a verdade é que podemos encontrar Heavy Metal do mais pesado em “Nothing To Say” com M.Shadows, Rock clássico a fazer lembrar Led Zeppelin com Andrew Stockdale em “By The Sword”, Hard Rock puro e duro com Lemmy em “Doctor Alibi”, Pop rock com Fergie em “Beautiful Dangerous”, Rock Blues com Myles Kennedy em “Starlight” enfim, cada música é um novo capítulo e uma diferente viagem.

E entre todas as coisas que gostamos neste álbum, esta é uma das nossas preferidas: a capacidade de Slash em recriar-se dentro dum universo tão grande e tão complexo como são todos os estilos de música aqui presentes. E o melhor de tudo é que o guitarrista cabeludo nunca compromete negativamente, seja em que estilo for. Slash dá-nos assim uma sensibilidade musical que é raro encontrarmos num artista. Se tivermos que admitir que Slash é o melhor guitarrista vivo no mundo, não o faremos baseando-nos na sua técnica mas, principalmente, na sua sensibilidade e harmonia e na sua capacidade de fazer da sua guitarra aquilo que ele quer.

Dada a hetereogeneidade de músicas e participações, decidimos analisar cada música em separado, de uma forma sucinta:

Ghost – É a faixa do álbum que mais nos faz lembrar a sonoridade dos Guns n’ Roses, com várias guitarras bem sujas mas que se interligam perfeitamente umas nas outras. Esta é também a única música do álbum onde Slash não assegura todas as guitarras sozinho pois teve a ajuda de Izzy Stradlin, antigo guitarrista dos Guns n’ Roses. Ian Astbury dos The Cult, faz aqui um bom trabalho nas vozes com bastantes variações de tom. É um óptimo cartão de visita para o resto do álbum.

Crucify The Dead – Uma balada algo pesada com uma guitarra de Slash muito inspirada e melodiosa. As vozes e letra são asseguradas por Ozzy Osbourne que encaixa perfeitamente na música. Destaque para a letra que, segundo Ozzy, é tudo aquilo que ele diria ao Axl Rose, se estivesse no lugar de Slash. É tecida uma crítica – lógica – a Axl embora nunca de uma forma agressiva mas sim manifestando uma certa indiferença. Uma excelente música no seu todo.

Beautiful Dangerous – Esta música divide-nos. Não pelo facto de, como muitas pessoas, acharmos que Fergie, sendo uma cantora pop, nada tem a ver com Hard Rock. Nesse aspecto, consideramos que Fergie é uma excelente cantora e encaixa bem neste género de música. Aquilo que não gostámos particularmente é o facto do refrão fazer-nos lembrar muito “Paparazzi” de Lady Gaga. Parece quase uma cópia. Concerteza foi algo que ultrapassou os músicos enquanto estavam no estúdio. Ainda assim, este é um dos instrumentais mais interessantes do guitarrista com muitas variações e um género que é rock e, ao mesmo tempo, também é pop e catchy. A bridge da música encaixa que nem uma luva na voz de Fergie. Se não fosse a parecença com a Lady Gaga, seria uma das nossas preferidas. Ainda assim, é uma boa música e Fergie está aprovada no caso de querer enverederar por um estilo de música rock.

Back From Cali – Foi a última música a entrar no álbum e é cantada por Myles Kennedy dos Alter Bridge que é o único cantor a colaborar em mais do que uma canção no disco. Aqui temos uma boa e coesa faixa rock com um cariz mainstream e que funciona bem. O poder vocal de Myles é extremamente bom e portanto agarra bem a música, fazendo dela um possível single.

Promise – Absolutamente fenomenal. É uma das nossas preferidas e demonstra um Slash hiper criativo com uma guitarra que “canta” em vez de fazer soar notas, juntamente com Chris Cornell que canta de uma forma soberba. O refrão é bastante orelhudo e a secção rítmica de baixo e bateria também tem responsabilidade por fazer esta música soar tão refrescante, nova e acima de tudo, ser uma excelente música.

By The Sword – Outro dos pontos altos no álbum. Segundo Slash, esta é a sua preferida do disco e talvez tenha sido por isso que foi a música escolhida para ser o primeiro single. Neste caso, temos Andrew Stockdale dos Wolfmother que canta e compõe soberbamente fazendo desta uma faixa de rock bem clássico que nos faz imediatamente lembrar os Led Zeppelin. Slash volta a encantar-nos com o seu solo de guitarra. A originalidade é mantida e o ritmo meio lento mas ao mesmo tempo pesado, transporta-nos para uma viagem psicadélica que muito nos faz lembrar não só os Led Zeppelin como os próprios Wolfmother.

Gotten – Uma balada bem calma com uma bonita melodia. É a música mais suave e harmoniosa de todo o álbum e funcionou muito bem com a colaboração de Adam Levine dos Maroon 5 e da sua boa colocação de voz neste tipo de música. Um bom momento que permite ao ouvinte respirar e preparar-se para a velocidade da próxima música.

Doctor Alibi – Contando com Lemmy dos Motorhead, esta faixa define na perfeição aquilo que nós, Rock Ends Rolling, acreditamos que uma boa música de Hard Rock deve ter: atitude, velocidade, variação de tempos, solo de guitarra mordaz, e uma voz bem rebelde e bem rija. Outra das nossas preferidas. Um clássico instantâneo.

Watch This – Este é o único instrumental do álbum e aqui Slash contou com Duff Mckagan, antigo baixista dos Guns n’ Roses e Velvet Revolver e com Dave Grohl, antigo baterista dos Nirvana e actual vocalista dos Foo Fighters. Sendo um instrumental pesado e com bastante distorção nas guitarras, está bem conseguido pois consegue fazer a proeza de juntar na perfeição a forma clássica de tocar guitarra de Slash e a forma de tocar bem grunge e barulhenta de Dave na bateria. Temos pena que não tenha sido colocada uma voz nesta música mas, ainda assim, consegue resultar bem enquanto instrumental, dada a sua boa qualidade.

I Hold On – Esta parece ter sido integralmente escrita por Kid Rock dada a sua semelhança com as suas próprias músicas. Com um refrão a funcionar perfeitamente com uns coros constantes, esta é uma boa música e não haveria melhor homem no mundo para a cantar do que o próprio Kid Rock. Aprovada.

Nothing to Say – A faixa mais pesada do álbum – se não contarmos com a versão de Nick Oliveri dos Queens Of The Stone Age – está carregada de bons pormenores técnicos e velocidade de execução. Também lembra Avenged Sevenfold e, portanto, M.Shadows encaixa bem neste género de música. Mais uma vez Slash prova que sabe tocar qualquer estilo de música de forma exímia. Destacamos o solo da música onde Slash nos enche os ouvidos como só ele sabe fazer. É mais um bom momento no disco.

Starlight – Myles Kennedy volta a fazer parceria com Slash para nos dar mais outra das melhores em todo o álbum. A canção começa com uma guitarra muito bluesy e logo arranca para um refrão mais Hard Rock onde a voz de Myles nos consegue arrepiar com uma escalada de tom inesperada e difícil. Este homem sabe cantar, sem dúvida. O solo de guitarra de Slash nesta música também é um dos nossos preferidos.

Saint Is A Sinner Too – A surpresa de todo o álbum! Em primeiro lugar, Rocco DeLuca é o nome menos conhecido entre os ilustres convidados de Slash. E em segundo lugar, esta é a nossa preferida de todo o álbum. Aqui a beleza da voz de Rocco e as várias guitarras acústicas e tão magistralmente coordenadas por Slash, parecem transpor a barreira da lucidez para nos deixarem arrepiados e deleitados. Mesmo sendo acústica, esta música assume um cariz épico como Queen ou Muse sabem fazer. No entanto, não é nessas bandas que parece estar a inspiração mas antes em Jeff Buckley e nas suas baladas acústicas e épicas. Uma das melhores que ouvimos nos últimos anos. Absolutamente bela!

We're All Gonna Die – A última faixa do disco conta com a participação do respeitável Iggy Pop. Curiosamente, talvez seja a faixa menos forte do álbum. Não por não ter qualidade mas talvez pelo facto de todas as outras serem mais fortes. Ainda que o riff de guitarra onde a música se apoia seja catchy e bem feito, o refrão parece um pouco desinspirado. Achamos que o álbum ganharia mais se tivesse terminado com “Baby Can’t Drive” que infelizmente foi renegada para os bonus tracks do disco.

Existem ainda vários bonus tracks onde destacamos a interessantíssima e bem disposta “Baby Can’t Drive” que conta com Alice Cooper e Nicole Scherzinger nas vozes acompanhados por Steven Adler nas baquetas e Flea, dos Red Hot Chili Peppers, no baixo. "Chains and Shackles" é uma versão da música “Nothing To Say” que conta com a participação de Nick Oliveri dos Queens of the Stone Age, que mesmo sendo enérgica e interessante fica aquém da versão de M. Shadows. “Mother Maria” é uma calma música com um cariz folk que Slash fez em colaboração com a vocalista Beth Hart para as vítimas da tragédia no Haiti e “Sahara” é uma boa e simples música de rock em japonês com o excelente vocalista Koshi Inaba, dos B’z. Dentro dos bonus tracks, apenas não gostámos da nova versão de “Paradise City” com os Cypress Hill e Fergie. Sempre que uma versão é inferior à música original é um esforço em vão...

Por fim, em jeito de análise final, resta-nos dizer que Slash nos brindou com mais um excelente álbum na sua imaculada carreira e que deve ser adquirido por qualquer pessoa pois, dada a heterogeneidade do mesmo, tem capacidade para agradar a gregos e a troianos, isto é, a pessoas que gostam de géneros musicais diferentes.

Desde que o começámos a ouvir, ainda não o tirámos do nosso leitor de cds!

O álbum da década.

Tracklist:
1. Ghost (Feat. Ian Astbury & Izzy Stradlin)
2. Crucify The Dead (Feat. Ozzy Osbourne)
3. Beautiful Dangerous (Feat. Fergie)
4. Back From Cali (Feat. Myles Kennedy)
5. Promise (Feat. Chris Cornell)
6. By The Sword (Feat. Andrew Stockdale)
7. Gotten (Feat. Adam Levine)
8. Doctor Alibi (Feat. Lemmy Kilmeister)
9. Watch This (Feat. Dave Grohl & Duff McKagan)
10. I Hold On (Feat. Kid Rock)
11. Nothing To Say (Feat. M Shadows)
12. Starlight (Feat. Myles Kennedy)
13. Saint Is A Sinner Too (Feat. Rocco DeLuca)
14. We're All Gonna Die (Feat. Iggy Pop)

Bonus Tracks:
1. Baby Can't Drive (Alice Cooper, Nicole Scherzinger, Steven Adler & Flea) Classic Rock version
2. Sahara (Koshi Inaba) Japanese version
3. Chains and Shackles (Nick Oliveri) Australian version
4. Paradise City (Cypress Hill,Fergie) Australian version
5. Mother Maria (Beth Hart) iTunes version

Músicas em Destaque:
Promise;
By The Sword;
Doctor Alibi;
Starlight;
Saint Is A Sinner Too;

Nota Final (1/20):
19

Análise: Scorpions - Sting In The Tail (2010)


Os alemães Scorpions anunciaram no início de 2010 que iriam acabar a sua carreira mas que, antes disso, ainda lançariam um último álbum de originais e fariam uma digressão pelo mundo.

Foi portanto com algum entusiasmo que recebemos este “Sting In The Tail” que assinala o fim duma interessante carreira de sucesso por parte dos Scorpions. Segundo o vocalisto Klaus Meine, este é, para ele, um dos melhores álbuns da banda.

Mas foi também com algum desagrado que lá fomos descobrindo as novas músicas deste álbum. Desagrado não especialmente pelo facto das músicas serem más mas antes por acharmos que, relativamente ao anterior álbum “Humanity: Hour I” onde a banda se excedeu no que concerne à qualidade criativa, este “Sting In The Tail” desilude.

A banda procurou voltar ao rock mais fácil e clássico que a tornou célebre com riffs de guitarra simplistas mas que são orelhudos e com letras e mensagens bem básicas também. O resultado é mesmo esse: rock fácil e simples.

Os germânicos não acrescentam nada à musica e ao rock em geral com este disco e, mesmo em relação ao seu cardápio de álbuns, este é apenas mais um outro. Se em “Humanity: Hour I” os Scorpions conseguiram criar uma sonoridade bem moderna e rockeira sem comprometê-los junto do seu público do passado, aqui, nada de novo foi criado e só mesmo os fãs mais antigos poderão registar algum entusiasmo pela banda ter voltado às suas raízes.

Os Scorpions optaram por um caminho fácil possivelmente com receio de experimentar novas coisas. Procuraram fazê-lo utilizando as mesmas fórmulas que sempre utilizaram, particularmente nos anos 70 e 80. Note-se que até mesmo o riff inicial da primeira música “Raised On Rock” nos remete para o riff inicial de “Rock You Like A Hurricane”. Também “Lorelei” parece uma imitação infeliz de “Send Me An Angel”.

“Uma homenagem a eles próprios”, poderão muitos achar mas nós consideramos, com pena nossa, que o trabalho dos alemães foi mais uma ausência de procura criativa do que outra coisa qualquer.

Destacamos as músicas “Slave Me”; “The Best Is Yet To Come” e a homónima “Sting In The Tail” que é talvez a música mais diferente e com mais atitude do disco.

Em conclusão, os Scorpions não se despedem com um mau disco – afinal de contas estão (demasiado) fiéis a eles próprios – mas também não se despedem em grande dos seus fãs como era esperado por todos.

Ainda assim, é um álbum decente e, para os amantes de rock clássico e simples com uma estrutura linear, este pode ser um bom disco.

Tracklist:
1. Raised On Rock
2. Sting In The Tail
3. Slave Me
4. The Good Die Young
5. No Limit
6. Rock Zone
7. Lorelei
8. Turn You On
9. Sly
10. Spirit Of Rock
11. The Best Is Yet To Come

Músicas em Destaque:
Slave Me;
The Best Is Yet To Come;
Sting In The Tail;

Nota Final (1/20):
13

Análise: Helloween - Unarmed: Best of 25th Anniversary (2009)


Nas comemorações dos seus 25 anos de carreira, os Helloween decidiram lançar “Unarmed: Best of 25th Anniversary", um álbum com novas abordagens a músicas que marcaram a história do colectivo. Apesar de contestados por muitos, optaram por fazê-lo convidando a Orquestra de Praga para participar em várias músicas.

Se a premissa parecia perigosa para muitos dos fãs – nós incluídos – a verdade é que os Helloween conseguiram remexer em clássicos tão bons como “I Want Out”, “Keeper Of The Seven Keys”, “Dr. Stein” ou “If I Could Fly” e ainda acrescentarem algo de bom, refrescante e novo, sem, no entanto, denegrir as músicas originais.

Mas é preciso realçar uma coisa: pouco ou nada nos arranjos musicais das canções nos remete para o universo do power metal a que os Helloween já nos habituaram. E a grande mais valia do álbum acaba mesmo por ser essa. A banda prova-nos que consegue não tocar power metal e mesmo assim tocar excelentes músicas e, além disso, levar-nos ainda à percepção que as músicas originais eram tão boas, ao ponto de terem qualidade suficiente para serem tocadas noutros géneros musicais e continuarem a ser excelentes.

A nossa preferida é mesmo a “Dr. Stein” – que é também o primeiro single de “Unarmed” – e que nos faz querer dançar e sorrir à medida que vamos ouvindo e apreciando a secção de metais presente na canção.

Destacamos também o medley “The Keepers Trilogy” onde entram 70 músicos da Orquestra de Praga, que é composto por “Halloween”, “Keeper Of The Seven Keys” e “The King For A 1000 Years”. Esta música tem 17 minutos de qualidade superior. Os coros e as partes mais épicas elevam a banda a um outro patamar e são um dos pontos mais altos de todo o álbum.

“I Want Out” e “If I Could Fly” receberam um tratamento que também nos agradou bastante. Só mesmo “Eagle Fly Free” nos desiludiu consubstancialmente. Ao contrário de todas as outras músicas que mesmo que tenham perdido elementos chave das versões originais, acabaram por ganhar interessantes novos pontos chave, a verdade é que ”Eagle FLy Free” que é um dos melhores e maiores clássicos de todo o género musical do Power Metal, acabou por ficar sem nexo, com um refrão arrastado, que nos leva a crer que a banda há-de ter preparado esta faixa à pressa. Destoa da qualidade das restantes músicas de “Unarmed”. Para nós foi a única música de “Unarmed” que foi “estragada” pela banda.

Podemos então aconselhar este álbum a todas as pessoas – não têm que gostar ou conhecer o estilo power metal porque, de facto, não se trata dum álbum desse género mas antes, de um bom álbum de rock. E depois, se gostarem das músicas, procurem as versões originais.

Aconselhamos.

Tracklist:
1. Dr. Stein
2. Future World
3. If I Could Fly
4. Where The Rain Grows
5. The Keeper's Trilogy
6. Eagle Fly Free
7. Perfect Gentleman
8. Forever & One
9. I Want Out
10. Fallen To Pieces
11. A Tale That Wasn't Right

Músicas em Destaque:
Dr. Stein;
The Keeper's Trilogy;
I Want Out;
If I Could Fly;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Radiohead - OK Computer (1997)


Se há quem refira que os anos 90 foram vazios em termos de criação musical e de movimentos musicais além do Grunge, então não conhecem o fenómeno, o poder musical e o marco que é Radiohead. O papel de Radiohead no mundo da música é quase tão importante como a influência de qualquer género musical, porque Radiohead rompe com todas as definições do que é um género musical. Começaram como uma banda de rock alternativo, mas nos dias de hoje, basta falar-se em Radiohead para não ser necessário enquadrá-la ou mesmo rotulá-la.

Mas remetamo-nos ao álbum de análise de hoje, o 3.º álbum de originais de Radiohead – “OK Computer”. O ponto de partida do “OK Computer” foi, por incrível que possa parecer, o álbum de Miles Davis, “Bitches Brew”. O que fascinou Yorke neste álbum foi o seu som denso e desconcertante e referiu mesmo que era como se estivesse a assistir à construção de algo e depois vê-lo desvanecer. Foi essa essência que Yorke tentou captar e até transpor para o álbum “OK Computer”. Se a banda conseguiu? Tentaremos responder a essa questão no final da análise do álbum.

“OK Computer” é um álbum que apresenta uma linearidade de temas e de conceitos, debruçando-se sobre temas como o consumismo, a estagnação política e o estado actual da sociedade, temas estes que são alvos de crítica massiva por parte dos Radiohead. Senão, oiçamos Airbag, onde há uma necessidade clara de renascer e de salvar o universo (I’m born again (…) I’m back to save the universe). Mas nem tudo é uma crítica alusiva à sociedade, por vezes as músicas debruçam-se sobre as lutas internas do indivíduo, a insanidade a que essas lutas podem conduzir e até mesmo a morte.

Mas apesar desta linearidade e desta conexão existente entre os temas, os Radiohead não consideram que este seja um álbum conceptual. Admitem que existe uma continuidade, mas não se desenvolve perante um só conceito. Yorke refere que apenas se restringiu a retratar o mundo tal como ele é, como se estivesse a tirar Polaroids. Yorke encara o “OK Computer” como se houvesse uma câmara escondida num quarto e é como se observasse cada personagem que lá entrasse. E assim se desenvolve uma personagem diferente para cada canção. No entanto, Yorke distancia-se na observação do mundo e das personagens que nele habitam, avaliando cada momento de forma neutra, mas não isento de emoções. Não fosse o “OK Computer” um álbum carregado de emoção, angústia e de oposição face ao estado actual das coisas. Mas esta angústia pode não transparecer à primeira audição. Por vezes, assiste-se mesmo a um antagonismo entre o que a música retrata e o que a música nos faz sentir. É somente uma das inúmeras particularidades deste álbum.

A nível musical, a banda tentou utilizar um vasto leque de instrumentos, incluindo cordas e efeitos electrónicos. Mas logo à primeira audição do álbum, consegue-se perceber que a guitarra é o instrumento dominante. Uma curiosidade a este respeito: as vozes que estão no álbum são originárias dos primeiros takes, pois Yorke considerou que se fizesse diversos takes e só depois encaixasse o melhor take na música, iria retirar a pureza da voz e tornaria as músicas mais artificiais.

Paranoid Android é o hino de “OK Computer”. Ela é não só a música mais longa do álbum (6:23), mas é também a mais complexa, musicalmente falando. Paradoxalmente, a própria banda diz que esta música foi escrita por piada, depois de diversas noites regadas com álcool.

Outro hino, entre muitos outros que caracterizam o “OK Computer”, é o Karma Police. Basta ouvi-la à primeira vez para perceber que é uma música dividida em duas partes, a primeira mais serena, contudo com letras que consubstanciam a temática da loucura, da insanidade mental e pelo sentimento de distanciamento de si próprio (for a minute there, i lost myself, i lost myself), para posteriormente partir para uma segunda parte instrumental que serve de catártese para a desorientação sentida até então.

Mas a temática da insanidade não fica por aqui. Climbing up the walls aborda claramente a existência do monstro no armário, sendo que este monstro é revelado como não mais do que o próprio eu. And either way you turn / I'll be there / Open up your skull / I'll be there / Climbing up the walls.

E se não bastasse a “experiência” enlouquecedora de Climbing up the walls, logo a seguir aparece a terna e deprimente, mas igualmente sombria, No Surprises. Como já referimos, não é por acaso que a No Surprises aparece no álbum a seguir à Climbing up the walls. Nada acontece por acaso em OK Computer. Depois da tal experiência enlouquecedora, passamos para a sua antítese ou para a etapa final dessa loucura. No surprises tem sido interpretada como o caminho que leva ao suicídio ou então como a demonstração de uma vida pouco preenchida ou como a necessidade de uma alteração e ruptura brutal do quotidiano. O próprio videoclip, com Thom Yorke numa câmara e com a água a subir lentamente, representa essa tentativa de suicídio ou mesmo o próprio suicídio lento que as pessoas vão cometendo na continuidade do seu dia-a-dia. Mas no fim, não é por acaso que Thom Yorke resiste e volta a respirar. É o sinal de que há saída para tudo o que foi retratado anteriormente. É possivelmente a música em OK Computer com uma carga emocional mais pesada, não só através das letras, como também através da música que entra em sintonia e expressa claramente aquilo que o actor está a sentir.

Um último apontamento acerca do grafismo do CD. Todo o artwork é feito através de colagem de imagens e a capa pretende representar uma tentativa de venda de um produto a uma pessoa que vai comprar mas não precisa nem pretendia comprar nada. Mais uma vez, a crítica ao consumismo da sociedade actual. E se repararmos na capa com atenção, aparece lá escrito “Lost Child”. A intenção é clara depois de ouvirmos o álbum com atenção e depois de lermos algumas letras. Somos todos esta Lost Child, perdidos e sem orientação nesta sociedade vilmente criticada pelos Radiohead.

Perguntámos anteriormente se os Radiohead teriam conseguido construir algo para depois destrui-lo, torná-lo altamente desconcertante e igualmente belo. Se “OK Computer” não conseguiu fazê-lo, dificilmente existe outra banda que o consiga.

“OK Computer” é um álbum que deve estar presente na colecção de todos os bons apreciadores de música. Mas preparem-se para ficar desconcertados.

Análise efectuada por Scatterbrain.


Tracklist:
1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For a Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing up the walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist


Músicas de Destaque:
Paranoid Android
Karma Police
The Tourist

Nota final (1/20):
19

Análise: Outloud! - Outloud! (2009)


À primeira vista, o disco de estreia dos Outloud! parecia assumir-se como um clássico dentro do Hard Rock/Heavy Metal tradicional. Mas estávamos enganados. Ou melhor, o próprio álbum é que nos enganou, mas comecemos por apresentar este projecto.

Os Outloud são oriundos da Grécia – quem disse que os gregos não sabem fazer música pesada? – e contam com elementos das bandas de power metal Firewind e Talon. Mas não é só de Power Metal que vive a sonoridade dos Outloud! porque, de facto, se há coisas que caracterizam este colectivo é a sua vontade em quererem fazer algo que toque muitos e variados estilos de música. Influências de Power Metal com misturas de Rock Sinfónico, Heavy Metal Clássico e até um pouco de Glam Rock caracterizam a música dos Outloud! A atitude é claramente Hard Rock com gritos e “come on yeahs” a marcarem as músicas mais mexidas.

Se isso pode ser uma coisa boa, acaba por ser uma das causas possíveis para que este trabalho nos soe um bocado a falso. Porque, em boa verdade, e pegando naquilo que referimos no primeiro parágrafo, os Outloud até parecem ser bons músicos, com músicas cheias de energia e tecnicamente bem executadas mas a verdade é que esta banda parece igualmente não acrescentar nada de novo à indústria da música.

A primeira “What I Need”, seguida das interessantes “We Run” e “Tonite” são boas músicas mas à medida que vamos avançando no disco percebemos que as boas ideias não abundam e que, de um modo geral, não há uma grande inspiração na forma como este material foi escrito.

A voz do cantor que ora tenta ser muito viril nas músicas mais rápidas, ora tenta ser muito meloso nas duas baladas do álbum, não nos convenceu por inteiro. Notámos porém, um bom trabalho de solos de guitarra e de bateria.

Também as letras deixam algo a desejar dada a sua demasiada linearidade. Mesmo assim, Outloud! é um projecto que vale a pena conhecer. Não temos dúvidas que se tratam de bons músicos mas deixamos as nossas reservas relativamente à sua capacidade em recriar o Hard Rock.

Os que gostam de Heavy Metal clássico com uma pitada de atitude Hard Rock poderão apreciar este trabalho.


Tracklist:
1. What I Need
2. We Run
3. Tonite
4. Search for Truth
5. This Broken Heart
6. Breathing Fire
7. Wild Life
8. Broken Sleep
9. Out in the Night
10. Lovesigh
11. Outloud!

Músicas em Destaque:
We Run;
What I Need;
Tonite;

Nota Final (1/20):
13

Análise: Mad Caddies - Keep It Going (2007)


“Keep It Going” marcou o regresso dos Mad Caddies aos lançamentos de originais. Depois de uma carreira invejável dentro do universo Punk Ska, o colectivo tem vindo a conquistar novos fãs ao longos dos seus álbuns. E “Keep It Going” continua a levar a banda por bons caminhos neste estilo de música, ou não fosse o próprio nome do álbum uma alusão à continuação dum caminho comum e bem trilhado.

Gostamos destes rapazes, temos que admitir. A sua música é divertida, refrescante, interessante e bem executada. A secção rítmica, pautada por uma óptima bateria e baixo, é excelente; e as secções de metais – trompete e trombone – fazem as nossas delícias. A voz do vocalista Chuck Robertson é eficaz e assenta que nem uma luva na sonoridade da banda.

As influências são mais que muitas embora neste trabalho não sejam tão variadas como no anterior álbum, “Just One More”. Aqui as músicas remetem-nos para um reggae estival que nos faz lembrar as longas tardes de verão em que nos sentamos a beber algo refrescante, numa esplanada com uma praia repleta de gente como fundo.

Tudo muito bem feito, com muito ritmo, com muita diversão. “Keep It Going” apesar de ser fácil de ouvir, é um álbum que dificilmente nos sai da cabeça dada a sua qualidade e refrões inteligentemente fabricados. O único defeito que lhe poderemos mesmo apontar é a ausência duma variedade de subgéneros musicais tão espantosa como a que a banda nos deu no anterior álbum.

Entre as nossas preferências estão “Reflections”; “The Dirge”; “Lay Your Head Down”; e “Tired Bones”, embora a nossa preferida seja a febrilmente dançante “Without You”, que sintetiza tudo aquilo que caracteriza os Mad Caddies: diversão, alegria e boa qualidade na composição.

Nem todas as pessoas poderão gostar de Ska – é preciso ser mesmo uma pessoa divertida com vontade de se divertir ainda mais! – mas decerto qualquer pessoa que goste do género musical , adorará este “Keep It Going”.

Venham mais, que nós somos dos que adoramos!

Tracklist:
1. The Dirge
2. Backyard
3. State of Mind
4. Today
5. Without You
6. Reflections
7. Lay Your Head Down
8. Tired Bones
9. Coyote
10. Don't Go
11. Pyramid Scheme
12. Souls For Sale
13. Riding For A Fall
14. Whatcha Gonna Do

Músicas em Destaque:
Without You;
Reflections;
The Dirge;
Lay Your Head Down;
Tired Bones;

Nota Final (1/20):
17

Análise: Sixx A.M. - The Heroin Diaries Soundtrack (2007)


Uma obra-prima. É assim que podemos classificar este trabalho. Às vezes, as melhores coisas da música chegam-nos de repente, sem que tenhamos previsto a sua realização. Neste caso, foi isso que aconteceu. De um momento para o outro, demos connosco a ouvir Sixx A.M. e a achar o álbum “The Heroin Diaries Soundtrack” um trabalho espectacular.

Convém porém revelar quem faz parte do projecto: Sixx A.M. é a banda, ou melhor, o projecto musical que uniu Nikki Sixx, famoso baixista dos Motley Crue; DJ Ashba, influente guitarrista dos Beautiful Creatures e actual guitarrista dos Guns n’ Roses; e James Michael, cuja obra tem sido mais conhecida pela produção de álbuns de artistas como Meat Loaf, Alanis Morissette, Scorpions ou Papa Roach.

Todo o álbum é conceptual contando a história verídica do baixista Nikki que teve um passado conturbado com fortes experiências com drogas pesadas, levando-o a ter duas overdoses. Felizmente, Nikki Sixx nunca morreu – embora tenha sido dado como clínicamente morto por duas vezes – e escreveu um livro em que conta a sua história. Esse livro tem o nome “The Heroin Diaries” e foi o ponto de partida para a concepção do disco com o mesmo nome.

E apesar de, à partida, podermos estar já à espera de mais um disco Hard Rock sem nada de muito novo, tendo em conta os envolvidos na concepção do trabalho, temos que admitir que, assim que carregamos em play, somos levados para um mundo que está assente em dois vértices: por um lado, o vértice da realidade e a força que o mesmo tem, ao contar uma história que efectivamente se passou mesmo e que é macabra e violenta. Por outro lado, existem elementos nos arranjos instrumentais que nos transportam para um universo de fantasia semelhante a qualquer filme de Tim Burton. De facto, os coros lembram muitas vezes os coros das músicas do célebre “Nightmare Before Christmas”, compostas por Danny Elfman, como são exemplo a “Xmas In Hell” e a “Intermission”.

A mistura conseguida por estes três músicos não poderia ter sido mais bem conseguida. E a juntar isso, ainda temos uma produção de luxo com muitas orquestrações e coros megalómanos. Muitas vezes a voz que acompanha as músicas é falada levando-nos mesmo a achar que é connosco, ouvintes, que Nikki Sixx quer falar, de forma a passar-nos a mensagem de que tudo o que tem a ver com drogas é um erro que nos pode arrastar até à morte.

O discurso e as passagens entre músicas estão muito coerentes e a história é contada de uma forma fluída como se se tratasse dum filme ou duma peça de teatro.

Ao longo do disco podemos encontrar passagens sinfónicas, mais rockeiras e num registo mais calmo. Qualquer uma das músicas é excelente. É pois por isso que temos dificuldades em escolher as nossas preferidas mas arriscamos: “Life After Death”, “Pray for Me”, “Intermission”, “Dead Man's Ballet”, “Girl with Golden Eyes” e “Courtesy Call”.

Talvez a única crítica que podemos tecer a este trabalho imaculado seja a forte tendência de algumas músicas caírem no refrão fácil de modo a ficarem mais automaticamente no ouvido. Contudo, isto é um mal menor e não afecta a enorme criatividade por trás de todas as músicas. A carreira de Nikki Sixx sempre foi profícua em boa música mas este é o trabalho que consideramos melhor em todo o seu repertório.

James Michael é o cantor de serviço e faz um belíssimo trabalho nas vozes. Também DJ Ashba introduz guitarras muito melodiosas e com bons pormenores técnicos. Mas o que salta mais ao ouvido são mesmo as orquestrações e acima de tudo, os coros. Estas músicas são a prova viva em como as bandas – de todos os géneros musicais – devem apostar em coros pois os mesmos têm o dom de tornar uma música boa em algo genial.

Foi o que se passou neste trabalho. Muitas vezes dizemos que um determinado álbum é obrigatório para quem gosta de Hard Rock. “The Heroin Diaries Soundtrack” dos Sixx A.M. é ainda mais do que isso: é um álbum obrigatório para toda a gente que gosta de boa música. Imperdível!

Tracklist:
1. X-Mas in Hell
2. Van Nuys
3. Life Is Beautiful
4. Pray for Me
5. Tomorrow
6. Accidents Can Happen
7. Intermission
8. Dead Man's Ballet
9. Heart Failure
10. Girl with Golden Eyes
11. Courtesy Call
12. Permission
13. Life After Death

Músicas em Destaque:
Life After Death;
Pray for Me;
Intermission;
Dead Man's Ballet;
Girl with Golden Eyes;
Courtesy Call;

Nota Final (1/20):
19

Análise: Bang Tango - Dancin' On Coals (1991)


Antes de mais, temos que opinar o seguinte: os Bang Tango sabem fazer boa música! Não há música que tenhamos ouvido que não revele bons pormenores técnicos e procura de algo diferente. “Dancin’ On Coals”, o segundo álbum do colectivo que sucedeu o aclamado “Psycho Café”, mostra-nos uma nova faceta da banda com muitas mais passagens funk onde o grrove do baixo é constante. As guitarras são muito competentes e a percussão talvez pudesse ser um pouco mais original mas é aceitável. Joe Lesté, o mentor e vocalista da banda, interpreta as músicas com toda a singularidade a que nos tem habituado.

Nesta mistura eclética de Heavy Metal, Glam Rock e Funk Rock, registamos sempre bons apontamentos e uma voz que ou se adora ou se detesta dada a sua aspereza. Nós tendemos a gostar embora consideremos que Joe Lesté haveria de se tornar um melhor vocalista em “Ready To Go” de 2004 e no próprio projecto paralelo “Beautiful Creatures”.

Muitas vezes denota-se uma crueza de som exagerada em algumas músicas e isto leva-nos a crer que a produção do álbum em estúdio podia estar um pouco mais trabalhada sem no entanto estragar a rigidez e peso das músicas. São vários os arranjos com metais – como saxofone e trompete – que tornam as músicas mais festivas e originais.

As nossas músicas preferidas são “Untied And True”, “Dancin’ On Coals”, “Last Kiss”, “Dressed Up Vamp” e a divertida “Cactus Juice” cujo riff psicadélico nos faz lembrar os Led Zeppelin. Contudo, a melhor do álbum – e uma das melhores da carreira da banda – é “Midnight Struck” onde a criatividade dos Bang Tango se ultrapassa a si mesma. É uma balada original com coros Gospel e excelentes arranjos de guitarra. A voz de Joe Lesté e a própria letra da música também nos tocou. O claro e óbvio momento alto do disco. Simplesmente maravilhoso.

Compete-nos levantar uma questão pertinente sobre os Bang Tango: se os músicos são bons, se há muitas e boas influências musicais, se o vocalista faz um trabalho interessante nas vozes... porque razão então, os Bang Tango não são uma banda com mais importância no universo Hard Rock? Pois bem, a verdade é que também nós não sabemos a resposta. O seu primeiro álbum até recebeu bastante airplay na MTV mas de facto isso nunca catapultou a banda para uma audiência mainstream.

Talvez lhes falte aquele “je ne sais quoi” que caracteriza as bandas que conseguem distinguir-se das demais. Músicas boas mas não extraordinariamente boas. Talvez seja isto que melhor defina os Bang Tango para as massas.

Mas independentemente daquilo que as massas tenham a dizer – ou a não dizer – sobre esta banda, estamos certos que uma pessoa que saiba apreciar bom Hard Rock considerará os Bang Tango uma boa banda.

Para todos os que gostam de Rock com atitude e garra, este é um álbum que vale a pena conhecer! Ideal para ouvir no carro com o volume das colunas bem elevado!

Tracklist:
1. Soul to Soul
2. Untied and True
3. Emotions in Gear
4. I'm in Love
5. Big Line
6. Midnight Struck
7. Dancin' on Coals
8. My Saltine
9. Dressed up Vamp
10. Last Kiss
11. Cactus Juice

Músicas em Destaque:
Midnight Struck;
Dancin’ On Coals;
Untied and True;
Dressed Up Vamp;
Last Kiss;
Cactus Juice;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Aerosmith - Nine Lives (1997)


De todos os álbuns dos Aerosmith, aquele que é mais experimental e talvez mesmo conceptual é este “Nine Lives”, de 1997. Álbum que seguiu o multiplatinado e excelente “Get a Grip” de 1993, foi muito aguardado por todos, levando a que as exigências feitas à banda pelos seus milhões de fãs, fosse muito grande. Temos a certeza que muitos foram os fãs que ficaram desiludidos com este trabalho mas, dado que consideramos “Nine Lives” como um álbum absolutamente excelente, a nossa razão para o descontentamento de alguns fãs e crítica é o forte rompimento com o passado que este trabalho imprimiu à carreira do colectivo norte-americano.

De facto, aquilo que podemos dizer depois de já termos dissecado este disco centenas de vezes é que, realmente, os Aerosmith esmeraram-se na criação destas 14 músicas.

Se não existem hits tão gigantes como em “Pump” ou “Get a Grip” – embora não devamos esquecer que a música “Pink” foi um mega hit, um pouco por todo o mundo – a verdade é que “Nine Lives” demonstra uns Aerosmith bastante eclécticos que sabem fazer música de qualquer tipo desde que o denominador criativo seja o Hard Rock.

Neste caso, “Nine Lives” afasta-se daquilo a que a banda já nos tinha habituado por várias razões muito embora sejam as passagens por ritmos e sonoridades mais orientais, nomeadamente da Índia, que parecem ser a maior diferença. Também... mas não só.

O tema da Índia que está presente no excelente artwork do disco – que é um dos melhores artworks dentro de toda a música onde já pudemos ter a oportunidade de pôr as mãos – tal como em muitas músicas como a homónima “Nine Lives”, “Taste Of India” ou “Fallen Angels”. Outra diferença que encontramos é a presença de músicas bem mais Hard com guitarras mais pesadas, solos mais sujos e pratos de bateria mais fortes.

As vocalizações de Steven Tyler aparecem muito inspiradas tal como a guitarra de Joe Perry. Apesar de Aerosmith ser uma banda comercial e de ter, naturalmente, muitas músicas comerciais, não consideramos “Nine Lives” muito radio friendly tirando, claro está, os singles mais óbvios do álbum. Pelo contrário, encontramos músicas onde se vê que o colectivo deu um passo em frente na criação de melodias e estruturas musicais diferentes daquilo que até então tinha feito, pondo de parte – mesmo que de uma forma inconsciente – as exigências e tendências do mercado mainstream da altura.

As nossas preferidas são “Hole In My Soul” (uma das melhores baladas da banda), “Falling Angels” (com uma mensagem e uma melodia absolutamente tocantes), “Ain’t That A Bitch” (que é absolutamente genial devido à tónica trágica oferecida por Steven à música), “Taste Of India” (um absoluto exercício musical de como fundir com classe música oriental e puro Hard Rock... adoramos!) e, porque não, “Pink” (que não passa de uma música com tempo e melodia fáceis mas que é suficientemente catchy e divertida para fazer-nos gostar dela!).

Sem dúvida e sem hesitações, é um dos álbuns que mais gostamos dos Aerosmith sendo um dos trabalhos mais marcantes da década de 90 dentro do universo do Hard Rock.

Recomendamos!

Tracklist:
1. Nine Lives
2. Falling in Love
3. Hole in My Soul
4. Taste of India
5. Full Circle
6. Something's Gotta Give
7. Ain't That a Bitch
8. Farm
9. Crash
10. Kiss Your Past Good-Bye
11. Pink
12. Falling Off
13. Attitude Adjustment
14. Fallen Angels

Músicas em Destaque:
Hole in My Soul;
Taste of India;
Ain't That a Bitch;
Pink;
Fallen Angels;

Nota Final (1/20):
18

Análise: Vains Of Jenna - The Art Of Telling Lies (2009)


Andávamos de olho nos Vains Of Jenna. Já tinhamos percebido que a vontade destes rapazes era muita e parece que, finalmente, eles vieram para conquistar o universo do Hard Rock! E não poderíamos estar mais satisfeitos com isso!

Depois de lançarem “The Demos” e “Lit Up/Let Down”que mesmo não sendo geniais deixaram o aviso que aquilo que os Vains Of Jenna queriam era rockar ao mais alto nível com influências da época dourada do Glam Hard Rock de Los Angeles.

E acreditem que estes senhores fizeram um álbum que os pode deixar orgulhosos. “The Art Of Telling Lies” é o mais recente disco e veio confirmar que os Vains Of Jenna são uma banda de Hard Rock que tem muitas cartas para dar no universo do Rock.

Com uma sonoridade que parece juntar Mötley Crüe com os Guns n’ Roses de “Appetite For Destruction”, este trabalho está absolutamente espectacular.

As músicas são simples mas sempre recheadas de muita genica e atitude. A voz do vocalista Lizzy DeVine é bastante “sleazy” e assenta que nem uma luva na sonoridade da banda. Existem também alguns pormenores interessantes nas guitarras. A bateria e o baixo não são excepcionais mas cumprem a sua função.

Os Vains Of Jenna tomaram uma opção que foi muito conseguida ao terem feito um álbum com apenas 10 músicas. Normalmente até achamos isso pouco num disco mas preferimos pouco mas bom do que muito e descartável. E de descartável este álbum não tem nada.

É fácil perceber que todas as músicas tiveram uma especial atenção por parte do colectivo. Isso agrada-nos muito pois são várias as bandas a cederem à tentação de fazer 4 ou 5 músicas muito boas e depois desenrascar outras 6/7 músicas de qualidade mais duvidosa e lançar um álbum no mercado.

“The Art Of Telling Lies” é um album que se ouve do princípio ao fim sem passarmos nenhuma faixa e onde vamos vivenciando uma óptima experiência Hard Rock com uma boa dose de Glam Rock. Há músicas a toda a velocidade, há baladas sem serem demasiado lamechas, há uma interessante cover de “Refugee” do Tom Petty e ainda há espaço para experimentar alguns pormenores originais.

Tudo feito com vontade, atitude e procura de música superior à que já tinha sido feito pela banda.

As nossas preferências recaem nas viciantes “Mind Pollution”, “Paper Heart”, “Enemy In Me”, “I don’t Care” e “Get It On” mas salientamos que não existe nenhuma música que não gostemos neste disco.

É um álbum excelente e um dos nossos preferidos de 2009. Em vez “The Art Of Telling Lies” dever-se-ia chamar “The Art Of Making Good Rock Music”.

Obrigatório!

Tracklist:
1. Everybody Loves You When You're Dead
2. Mind Pollution
3. Refugee
4. I Belong To Yesterday
5. Paper Heart
6. Get It On
7. Enemy In Me
8. Better Off Alone
9. I Don't Care
10. The Art Of Telling Lies

Músicas em Destaque:
Mind Pollution;
Paper Heart;
Enemy In Me;
I Don’t Care;
Get It On;

Nota Final (1/20):
18

Análise: Hardcore Superstar - No Regrets (2003)


Os Hardcore Superstar têm sido uma das bandas que mais conseguem variar a sua sonoridade de álbum para álbum e fazem-no duma forma quase impossível de acreditar! Aliás, se a voz de Jocke Berg não fosse tão reconhecível, diríamos que alguns dos seus álbuns pertencem a bandas diferentes e não ao mesmo colectivo.

E “No Regrets” é um dos trabalhos da banda em que isso é mais evidente. Assim que ouvimos este disco, nenhuma semelhança, ou quase nenhuma, encontramos relativamente a outros álbuns dos Hardcore Superstar. Ao contrário do rock sujo de “Bad Sneakers and a Piña Colada” a fazer lembrar os Buckcherry; do rock mais inventivo e radio friendly de “Thank You (For Letting Us Be Ourselves); do rock mais sleaze do homónimo “Hardcore Superstar” a fazer lembrar o melhor dos Beautiful Creatures ou do rock mais fundado no Heavy/Street Metal de “Dreamin’ In A Casket” e de “Beg For It”; este álbum é pura e simplesmente um álbum de punk rock sempre a abrir.

A clara alusão aos The Clash é mais que óbvia tal como o são as influências dos Sex Pistols, The Kinks, Buzzcocks, entre outros. O que temos portanto em mãos é um punk bem enérgico com uma bateria muito inspirada de Adde, um som bem rijo e rápido nas linhas de guitarra e baixo e uma voz, mais uma vez, excelente por parte de Jocke.

De facto, esta banda faz as coisas tão bem que apesar de “No Regrets” ser o único verdadeiro álbum de punk rock dos Hardcore Superstar, tem tudo para ser considerado como um dos melhores dentro do género.

As letras são simples e de fácil percepção assentando num espírito de tudo criticar e de alguma perservação de auto-estima. Há até alguma felicidade como na alusão à dança em “Soul Of Sweetness” levando-nos a ficar divertidos ao ouvir as músicas. Além disto, os refrões são orelhudos e as músicas ficam no ouvido.

O álbum tem uma energia contagiante do princípio ao fim e é perfeitamente normal que nos encontremos a abanar a cabeça assim que ouvimos os primeiros acordes da primeira música. Não te preocupes com o medo de que isso acabe depressa porque te garantimos: a energia deste punk rock super dançável que os Hardcore Superstar nos oferecem neste trabalho, só acabará mesmo quando acabar o álbum. E quando isso acontecer, o mais provável é que carregues no botão “play” outra vez.

A grande mais valia dos Hardcore Superstar é que, para além de serem uma banda muito competente no campo técnico e criativo e de saberem procurar sonoridades – completamente! – diferentes entre os álbuns que produzem, é sem dúvida o facto de imprimirem uma grande dose de atitude em tudo o que fazem.

É difícil encontrarmos uma banda mais confiante com ela própria do que esta - o próprio título deste álbum revela mesmo isto.

Têm todo o nosso apreço e dedicação.

Este álbum tem que constar numa boa colecção de rock!

Tracklist:
1. Wall of Complaint
2. No Regrets
3. Breakout
4. Soul of Sweetness
5. Honey Tongue
6. Still I'm Glad
7. Bring Me Back
8. Pathetic Way of Life
9. It's So True
10. Why Can't You Love Me Like Before
11. Last Great Day
12. I Can't Change
13. You Know Where We All Belong

Músicas em Destaque:
Soul of Sweetness;
Honey Tongue;
Still I'm Glad;
Breakout;
It's So True;
Why Can't You Love Me Like Before;
Wall of Complaint;

Nota Final (1/20):
19

Análise: Avantasia - The Metal Opera Pt. II


Os Avantasia são um projecto paralelo do vocalista e mentor dos alemães Edguy, Tobias Sammet. Tal como os Edguy, o estilo de música apresentado pelos Avantasia é Power Metal mas numa vertente mais sinfónica. Mas antes de analisarmos este “The Metal Opera Pt. II” de 2002, convém certificarmo-nos que todos sabem exactamente o que é o projecto Avantasia.

No ano de 2001 Tobias Sammet apresentou ao mundo um conceito absolutamente genial. A sua ideia era exigente: criar um álbum conceptual com a colaboração de grandes nomes da música que dariam voz às personagens deste épico inspirado no universo de Avalon – daí o nome Avantasia – com muitas influências das personagens míticas do Senhor dos Anéis.

Assim sendo, ao contrário dum álbum típico de rock, "The Metal Opera" – e concretamente este "The Metal Opera Pt. II" - apresentam-nos uma história com diversos personagens que cantam em tom de diálogo, revelando-nos a história ao longo do álbum. Estamos pois a falar de uma Ópera mas que tem arranjos de Power e Heavy Metal sem no entanto perder a noção melódica de uma Ópera – e será obviamente essa a razão que justifica o nome de ambos os álbuns.

Se o conceito, embora de difícil execução, já era original imaginem a sua grandeza ao incluir nomes pesados de outras bandas que dão voz às personagens criadas por Tobias Sammet como: Michael Kiske (ex – Helloween), Sharon den Adel (Within Temptation), Kai Hansen (Gamma Ray), Timo Tolkki (Stratovarius), Bob Catley (Magnum), André Matos (Angra), Eric Singer (Kiss), entre muitos outros respeitados vocalistas e instrumentistas do universo do Rock pesado.

Quanto às músicas presentes temos que dar um grande destaque à primeira faixa do álbum – “The Seven Angels” - que, por si só, já justificava que este fosse um dos melhores álbuns de sempre. Composta por 14 – não longos – minutos e pela participação de quase todos os convidados de Tobias Sammet, esta música é como uma jornada épica que ora arranca, ora desacelera criando paisagens sonoras dignas de qualquer filme épico. Os coros parecem ter sido tocados por uma mão celestial tal é a sua magnificência. Há partes recheadas de velocidade, há partes calmas só com piano. Há de tudo um pouco para quem gosta de boa música. Consideramos esta música importante para o universo do Power/Heavy Metal como o “Bohemian Rhapsody” dos Queen, foi e é importante para o universo do Hard Rock.

Quanto às outras músicas, o álbum continua a transbordar qualidade sendo as nossas preferidas a “The Looking Glass” que nos dá umas guitarras bem engendradas e a balada “In Quest For” que nos presenteia com um agradável e suave piano que nos faz relaxar até à entrada da também excelente e rápida “The Final Sacrifice”.

A execução técnica e instrumental não poderia ser melhor porque, afinal de contas, estamos a falar de músicos escolhidos a dedo e que oferecem o seu talento a toda a criação de Sammet. A história e letra das músicas está também bastante intensa e bem delineada. Neste ponto, chamamos a atenção para o facto de não acharmos que as letras das músicas estão forçadas e rebuscadas para conseguir contar a história, como seria de prever. O que se passa é que as letras fluem de uma forma credível e não forçada, o que nos demonstra que também nesta componente lírica, Tobias Sammet foi, no mínimo, genial.

Pouco mais temos a dizer sobre este álbum. É mesmo um daqueles raros e especiais álbuns que marcam a história da música deixando-a diferente após a sua existência.

Não há volta a dar, todos os seres humanos deveriam ouvir este álbum pois é uma raridade, uma pérola que durante anos pode não ser igualada dentro do género.

Mais que obrigatório!

Tracklist:
1. The Seven Angels
2. No Return
3. The Looking Glass
4. In Quest For
5. The Final Sacrifice
6. Neverland
7. Anywhere
8. Chalice Of Agony
9. Memory
10. Into The Unknown

Músicas em Destaque:
The Seven Angels;
The Looking Glass;
In Quest For;
The Final Sacrifice;

Nota Final (1/20):
19

Análise: AFI - Crash Love (2009)


Foi com alguma expectativa que recebemos o último álbum dos americanos AFI – A Fire Inside. Depois do absolutamente espectacular “Sing The Sorrow” e do interessante “Decemberunderground” estávamos curiosos com o que faria a banda de Davey Havok cuja sonoridade assenta algures entre o Punk Rock, o Rock Alternativo e o Emocore.
E devemos admitir que quando ouvimos “Crash Love” pela primeira vez sentimos uma certa desilusão. As músicas não conseguiram entusiasmar-nos como esperávamos.

Porém, quando o ouvimos uma segunda vez já encontrámos detalhes que gostámos e quando ouvimos uma terceira, uma quarta e uma quinta vez, ainda gostámos mais. Isto leva-nos a uma forte característica presente no álbum: as músicas não têm a capacidade de serem “orelhudas” como eram as canções de “Sing The Sorrow” ou “Decemberunderground”. Não que sejam músicas difícieis de escutar porque os AFI continuam a procurar conquistar uma audiência mainstream ; o que acontece é que, inicialmente, as 14 músicas que compõem “Crash Love” pareciam ser músicas que entravam a 100 e saiam a 200, ou seja, que simplesmente não ficavam no ouvido por não terem nada de muito bom ou de muito mau.

Mas percebemos depois que isso não é verdade. Porque de facto, e se a audição for atenta aos pormenores, encontramos imensas coisas interessantes neste álbum tal como uma boa e dinâmica secção rítmica, uma sonoridade bem produzida e intercalada entre os momentos mais fortes e os mais suaves e um excelente trabalho de vozes por parte de Davey Havok.

E este é um ponto crítico na sonoridade desta banda. A voz do vocalista é tão específica e singular que ou se adora ou se detesta. Parece não haver meio termo. Aqui no Rock Ends Rolling tendemos a adorar os agudos de Davey mas ficam avisados os leitores que não conheçam a banda, que decerto não ficarão indiferentes aos sons emitidos por Davey Havok, dadas as suas características únicas.

As músicas presentes no álbum talvez não tenham a força das de “Sing The Sorrow” ou não sejam tão mainstream como os singles de “Decemberunderground” mas são, contudo, boas músicas. Parece-nos que o colectivo não arriscou tanto na produção de novo material fazendo, por isso, músicas que são fáceis de ouvir, que são bem construídas mas que não são tão fortes.

É talvez este o principal ponto negativo que encontramos. As músicas no geral, acabam por ser um pouco "mornas" o que não era costume em AFI pois esta sempre foi uma banda que dividiu opiniões, tendo pessoas que os adoravam e pessoas que os detestavam. Talvez este seja o álbum do consenso, duma procura de normalidade sem descurar, claro está, o passado musical do colectivo.

Não é o melhor álbum dos AFI mas é um bom álbum. Quem gostou dos últimos dois da banda pode não gostar deste numa primeira audição mas, assim que oiça e conheça melhor o álbum vai, certamente, encontrar nele bons momentos musicais. Uma nota final para dizer que mais uma vez, as letras das músicas são interessantes.

Destacamos ainda a excelente e viciante “Veronica Sawyer Smokes”; “Cold Hands” e “I Am Trying Very Hard To Be Here”.

Um álbum e uma banda que deverão ser ouvidos por todos os que pretendem algo novo dentro do universo do Rock.


Tracklist:
1. Torch Song
2. Beautiful Thieves
3. End Transmission
4. Too Shy To Scream
5. Veronica Sawyer Smokes
6. Okay, I Feel Better Now
7. Medicate
8. I Am Trying Very Hard To Be Here
9. Sacrilege
10. Darling, I Want To Destroy You
11. Cold Hands
12. It Was Mine

Músicas em Destaque:
Veronica Sawyer Smokes;
Cold Hands;
I Am Trying Very Hard To Be Here;

Nota Final (1/20):
15

Análise: Wolfmother - Wolfmother (2005)


Os Wolfmother são uma curiosa banda australiana de Hard Rock clássico que lançou o seu primeiro álbum em 2005, apresentando um som estranhamente clássico. Sim, porque ao contrário da maioria das bandas que, mesmo que tenha fortes influências de bandas do passado, tenta adaptar o seu estilo às sonoridades modernas do rock actual, os Wolfmother parecem pretender uma própria regressão ao Hard Rock Clássico dos anos 70. Assim, bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple ou Thin Lizzy são portos de abrigo para a sonoridade deste colectivo.

E isso divide-nos. Por um lado, e dada a própria qualidade inquestionável das bandas influenciadoras referidas, é de saudar que existam bandas actuais que sabem e conseguem captar esse rock psicadélico tão frequentemente associado ao movimento hippie e a todo o consumo de drogas que o mesmo pressupõe. Foram tempos que marcaram profundamente a música em todo o mundo e, de certa forma continuarão a marcar. Por exemplo, ouvir “Paranoid” dos Black Sabbath ou “Whole Lotta Love” dos Led Zeppelin é uma experiência tão especial e enriquecedora que, de certeza que não serão apenas as pessoas que viveram essa época que poderão apreciar este tipo de música. São, concerteza, muitos os jovens que verão neste tipo de psicadelismo uma óptima experiência musical. E nesse ponto, os Wolfmother estão mais que bem pois conseguem captar toda a essência dessa música até agora extinta. Note-se que até mesmo a própria masterização e mixagem dos instrumentos e músicas remonta à forma como se produzia um disco nos anos 70.

O ponto negativo ou que pelo menos nos deixa com algumas dúvidas é que consideramos que talvez os Wolfmother sejam demasiado anos 70, isto é, talvez os Wolfmother estejam tão ligados a esta tónica musical que acabam por ser um pouco redutores quanto àquilo que poderiam, eventualmente, ser capazes de construir. Se as influências são óptimas, talvez o facto dos australianos soarem demasiado às mesmas acabe por lhes tirar algum mérito e serem descreditados por todos aqueles que considerarem que esta banda não é mais que uma cópia das suas bandas preferidas.

Não compactuamos com esta visão porém. Ainda que sejam demasiado anos 70, os Wolfmother apresentam músicas bem construídas com aquela atitude psicadélica que já referimos e as suas músicas proporcionam-nos boas audições. Notamos alguma repetição entre músicas e uma distorção algo arrastada na maioria das músicas mas, ainda assim, a secção rítmica e as performances do vocalista e mentor da banda Andrew Stockdale são muito interessantes.

A música “Pyramid” é absolutamente genial bem como a “Woman” ou a “Joker & The Thief”.

Ainda que reticentes em relação aos Wolfmother, recomendamos este seu primeiro álbum de originais porque é sempre bom ver um novo projecto a emergir com tão boas referências musicais ao contrário da música que tem vindo a surgir por este mundo fora.

Os Wolfmother ou são a próxima grande banda de Rock N’ Roll ou acabarão por ser engolidos com o passar deste buzz inicial. Como ainda temos dúvidas sobre qual destas duas hipóteses acontecerá, resta-nos aguardar pelo seu segundo álbum.

Tracklist:
1. Colossal
2. Woman
3. White Unicorn
4. Pyramid
5. Mind's Eye
6. Joker & The Thief
7. Dimension
8. Where Eagles Have Been
9. Apple Tree
10. Tales from the Forest of Gnomes
11. Witchcraft
12. Vagabond

Músicas em Destaque:
Woman;
Joker & The Thief;
Pyramid;

Nota Final (1/20):
15

Análise: Europe - Last Look At Eden (2009)


De todas as bandas rock que se tinham separado nos anos 90 e que se reuniram já depois de 2000, os Europe são, para nós, a aposta mais coesa e ganha. Se várias são as bandas que se reuniram ao fim de hiatos de alguns anos que não apresentaram mais do que a vontade de fazer algum dinheiro à custa dos fãs, os Europe são exactamente o oposto disso. Depois de "Prisoners In Paradise", em 1992, a banda havia cessado funções até se ter reunido, novamente, em 2004 para lançar, o também interessante, “Start From the Dark”.

Em 2009 chega-nos “Last Look At Eden”, o terceiro álbum desde que a banda voltou a tocar junta e podemos afirmar que é um dos melhores de toda a carreira dos Europe.

Adaptando-se às sonoridades actuais mas introduzinho teclados e orquestrações de uma forma épica, os Europe estão de parabéns pelo excelente trabalho que produziram.

Nota-se que a produção do mesmo foi enorme tendo as próprias orquestrações sido gravadas pela Orquestra Sinfónica de Praga auferindo assim um som com uma qualidade perfeita. Essa parceria entre a Orquestra e os Europe foi bem aproveitada dando origem a uma orquestração de arrepiar assim que o álbum começa.

Os europe preocuparam-se, de uma forma quase cirúrgica, em obter músicas bem delineadas com boas vocalizações por parte de Joey Tempest, teclados bem colocados por Mic Michaeli e uma excelente secção rítmica assegurada pelo cada vez mais enérgico Ian Haugland e o baixista John Leven. Mais uma vez, John Norum desempenha um papel preponderante nas guitarras "solando" e “riffando” de forma exímia quer técnica quer sentimentalmente - a nível de “groove”, por exemplo.

A banda acaba assim por chegar a um nível de qualidade invejável e oferece-nos um álbum pleno de variedade. Desde momentos épicos como “Last Look At Eden” ou a excelente “No Stone Unturned”, a já comum balada mais comercial – “New Love In Town”, o rock mais enérgico em “The Beast” ou em “Gonna Get Ready”, a surpreendente “In My Time” com uma sonoridade muito “blues” ao jeito de Gary Moore ou Joe Bonamassa e, finalmente, a improvável “Mojito Girl” onde a banda tentou alcançar outras paisagens rítmicas de uma forma não tão bem conseguida.

Por ventura, “Last Look At Eden” dá-nos a impressão que algumas das suas músicas não exigiram tanto trabalho como outras. Se algumas das músicas descritas em cima apresentam um cuidado constructivo na composição muito grande, o mesmo já não se pode dizer de músicas como “U Devil U”, “Run With The Angels” e “Catch That Plane”. Nestes três exemplos, ficamos com a ideia que as músicas foram feitas meio à pressa e de uma forma mais leviana. É pena porque existem muitas outras músicas excelentes no álbum e se não fossem raras excepções, estávamos na presença do melhor álbum dos Europe.

Todavia, equilíbrio é a palavra que melhor define este trabalho e qualquer fã de rock deverá confirmar a excelente qualidade do mesmo que é, sem dúvida, um dos álbuns de rock do ano.

Indispensável.

Tracklist:
1. Prelude
2. Last Look At Eden
3. Gonna Get Ready
4. Catch That Plane
5. New Love In Town
6. The Beast
7. Mojito Girl
8. No Stone Unturned
9. Only Young Twice
10. U Devil U
11. Run With The Angels
12. In My Time

Músicas em Destaque:
No Stone Unturned;
The Beast;
Last Look At Eden;
In My Time;
Gonna Get Ready;

Nota Final (1/20):
17

Análise: Joe Perry - Have Guitar, Will Travel (2009)


Joe Perry, o famoso e respeitado guitarrista dos Aerosmith regressa ao seu projecto paralelo para lançar aquele que é o seu 5º álbum fora dos Aerosmith. Considerado um dos melhores guitarristas de sempre e sendo o ídolo de Slash, Joe Perry é um músico que exige que mantenhamos a fasquia alta para ele. E felizmente, não ficámos desiludidos com este novo trabalho..

“Have Guitar, Will Travel” tem a particularidade de contar com a participação do até agora desconhecido Hagen Grohe. Hagen deu um salto para a fama através de um golpe de sorte que até a ele deverá ser difícil explicar. Hagen tinha no youtube uns videos caseiros seus em que cantava algumas músicas. A esposa de Joe Perry, enquanto navegava na Internet descobriu Hagen e mostrou os seus talentos vocais a Joe Perry que também ficou entusiasmado com a maneira de cantar do alemão Hagen e contactou-o. Quando contactado por Joe Perry, o alemão achou que era uma piada mas viria a perceber mais tarde que se tratava de um telefonema verdadeiro. Assim, integrou o projecto de Joe Perry que também conta com a participação do baixista David Hull, o guitarrista Paul Santo e o baterista Marty Richards.

Podemos pois dizer que a inclusão de Hagen nas vozes foi uma interessante descoberta de alguém que poderia manter-se no anonimato de videos caseiros no Youtube para sempre. O alemão coloca uma boa tónica nas músicas e acaba por nos oferecer interpretações bem mais fluidas e abertas do que o próprio Joe Perry que também canta várias músicas. É um vocalista com bastante talento e só esperamos que consiga triunfar no universo do Hard Rock daqui em diante.

As músicas apresentadas em “Have Guitar, Will Travel” variam entre um Hard Rock bastante actual – as músicas em que Hagen Grohe canta - e um rock mais bluesy e clássico – nas músicas em que Perry canta. Acaba por ser um álbum bastante heterogéneo mas, ao mesmo tempo, homogéneo pois a guitarra de Joe é inconfundível e oferece às 10 músicas vários elementos próprios e característicos.

Destacamos as músicas “We've Got A Long Way To Go”; “Slingshot”; “Do You Wonder” e a magnífica “Oh Lord (21 grams)” onde Joe Perry nos dá a sua melhor interpretação nas vozes de sempre.

Não pensem que por ser um álbum do guitarrista dos Aerosmith, “Have Guitar, Will Travel” soa a Aerosmith. Só se for ao último álbum de covers “Honkin’ On Bobo” ou aos primeiros álbuns da banda. Ainda assim, não foi de certeza pretenção do Joe Perry partir para um projecto paralelo em que soa exactamente igual à sua banda principal. Este álbum vale por sim e é uma interessante opção para quem quer rockar um pouco sem pôr de parte as raízes dos Blues.

Recomendado!

Tracklist:
1. We've Got A Long Way To Go
2. Slingshot
3. Do You Wonder
4. Somebody's Gonna Get (Their Head Kicked In Tonite)
5. Heaven and Hell
6. No Surprise
7. Wooden Ships
8. Oh Lord (21 grams)
9. Scare The Cat
10. Freedom

Músicas em Destaque:
We've Got A Long Way To Go;
Slingshot;
Do You Wonder;
Oh Lord (21 grams);

Nota Final (1/20):
16