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Análise: Bang Tango - Dancin' On Coals (1991)


Antes de mais, temos que opinar o seguinte: os Bang Tango sabem fazer boa música! Não há música que tenhamos ouvido que não revele bons pormenores técnicos e procura de algo diferente. “Dancin’ On Coals”, o segundo álbum do colectivo que sucedeu o aclamado “Psycho Café”, mostra-nos uma nova faceta da banda com muitas mais passagens funk onde o grrove do baixo é constante. As guitarras são muito competentes e a percussão talvez pudesse ser um pouco mais original mas é aceitável. Joe Lesté, o mentor e vocalista da banda, interpreta as músicas com toda a singularidade a que nos tem habituado.

Nesta mistura eclética de Heavy Metal, Glam Rock e Funk Rock, registamos sempre bons apontamentos e uma voz que ou se adora ou se detesta dada a sua aspereza. Nós tendemos a gostar embora consideremos que Joe Lesté haveria de se tornar um melhor vocalista em “Ready To Go” de 2004 e no próprio projecto paralelo “Beautiful Creatures”.

Muitas vezes denota-se uma crueza de som exagerada em algumas músicas e isto leva-nos a crer que a produção do álbum em estúdio podia estar um pouco mais trabalhada sem no entanto estragar a rigidez e peso das músicas. São vários os arranjos com metais – como saxofone e trompete – que tornam as músicas mais festivas e originais.

As nossas músicas preferidas são “Untied And True”, “Dancin’ On Coals”, “Last Kiss”, “Dressed Up Vamp” e a divertida “Cactus Juice” cujo riff psicadélico nos faz lembrar os Led Zeppelin. Contudo, a melhor do álbum – e uma das melhores da carreira da banda – é “Midnight Struck” onde a criatividade dos Bang Tango se ultrapassa a si mesma. É uma balada original com coros Gospel e excelentes arranjos de guitarra. A voz de Joe Lesté e a própria letra da música também nos tocou. O claro e óbvio momento alto do disco. Simplesmente maravilhoso.

Compete-nos levantar uma questão pertinente sobre os Bang Tango: se os músicos são bons, se há muitas e boas influências musicais, se o vocalista faz um trabalho interessante nas vozes... porque razão então, os Bang Tango não são uma banda com mais importância no universo Hard Rock? Pois bem, a verdade é que também nós não sabemos a resposta. O seu primeiro álbum até recebeu bastante airplay na MTV mas de facto isso nunca catapultou a banda para uma audiência mainstream.

Talvez lhes falte aquele “je ne sais quoi” que caracteriza as bandas que conseguem distinguir-se das demais. Músicas boas mas não extraordinariamente boas. Talvez seja isto que melhor defina os Bang Tango para as massas.

Mas independentemente daquilo que as massas tenham a dizer – ou a não dizer – sobre esta banda, estamos certos que uma pessoa que saiba apreciar bom Hard Rock considerará os Bang Tango uma boa banda.

Para todos os que gostam de Rock com atitude e garra, este é um álbum que vale a pena conhecer! Ideal para ouvir no carro com o volume das colunas bem elevado!

Tracklist:
1. Soul to Soul
2. Untied and True
3. Emotions in Gear
4. I'm in Love
5. Big Line
6. Midnight Struck
7. Dancin' on Coals
8. My Saltine
9. Dressed up Vamp
10. Last Kiss
11. Cactus Juice

Músicas em Destaque:
Midnight Struck;
Dancin’ On Coals;
Untied and True;
Dressed Up Vamp;
Last Kiss;
Cactus Juice;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Bang Tango - Ready To Go (2004)


Aqui está uma banda que nunca conseguiu ter uma fama muito grande no mundo porém, qualquer hardrocker com um conhecimento minimamente aprofundado já ouviu falar dos Bang Tango. Sendo o projecto original de Joe Lesté, vocalista dos Beautiful Creatures, os Bang Tango começaram nas andanças do Rock em 1989. Após o lançamento de 4 álbuns e o afastamento dos músicos, o projecto Bang Tango voltou ao estúdio em 2004 para produzir este “Ready To Go”.

Estamos perante um trabalho que merece o nosso mais elevado respeito pois assim que ouvimos o álbum respiramos Hard Rock puro e duro. As execuções de bateria e baixo são simples mas servem apenas para nos fazer abanar a cabeça à medida que vamos progredindo no disco. Destaque especial para os excelentes solos de guitarra de Alex Grossi pois são absolutamente perfeitos. Têm várias partes ferozes que ao longo das músicas, passam para partes bem mais melódicas fazendo lembrar a poesia dos solos de Slash.

Também a voz de John Lesté, bem crua e violenta, encaixa muito bem nas músicas alternando entre partes mais calmas e partes mais pesadas.

Podemos encontrar um rock variado à medida que vamos ouvindo “Ready To Go”. Temos as músicas com o refrão que fica no ouvido, temos músicas mais calmas (destacamos a excelente balada “The Most Important Thing”) e temos ainda a música “Love The Life” que nos remete para um rock meio folk com influências de Lynyrd Skynyrd – pelo menos nos instrumentais.

O álbum transporta-nos para o que de melhor se fazia no Hard Rock nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90. Temos pena que seja mais um álbum excelente que passa ao lado de tantas pessoas que até dizem gostar do género. Quem não o conhece só tem uma coisa a fazer: ouvi-lo!

Tracklist:
1 Ready To Go
2 I Came To See You
3 It Ain't Easy
4 Rainy Day
5 The Other Side
6 She Knows Better
7 Roll Me Over
8 Save Myself For You
9 Love The Life
10 The Most Important Thing
11 Tell Me
12 Carry On

Músicas em Destaque:
It Ain’t Easy;
She Knows Better;
Love The Life;
The Most Important Thing;
Ready To Go;

Nota Final (1/20):
17