Análise: Radiohead - OK Computer (1997)


Se há quem refira que os anos 90 foram vazios em termos de criação musical e de movimentos musicais além do Grunge, então não conhecem o fenómeno, o poder musical e o marco que é Radiohead. O papel de Radiohead no mundo da música é quase tão importante como a influência de qualquer género musical, porque Radiohead rompe com todas as definições do que é um género musical. Começaram como uma banda de rock alternativo, mas nos dias de hoje, basta falar-se em Radiohead para não ser necessário enquadrá-la ou mesmo rotulá-la.

Mas remetamo-nos ao álbum de análise de hoje, o 3.º álbum de originais de Radiohead – “OK Computer”. O ponto de partida do “OK Computer” foi, por incrível que possa parecer, o álbum de Miles Davis, “Bitches Brew”. O que fascinou Yorke neste álbum foi o seu som denso e desconcertante e referiu mesmo que era como se estivesse a assistir à construção de algo e depois vê-lo desvanecer. Foi essa essência que Yorke tentou captar e até transpor para o álbum “OK Computer”. Se a banda conseguiu? Tentaremos responder a essa questão no final da análise do álbum.

“OK Computer” é um álbum que apresenta uma linearidade de temas e de conceitos, debruçando-se sobre temas como o consumismo, a estagnação política e o estado actual da sociedade, temas estes que são alvos de crítica massiva por parte dos Radiohead. Senão, oiçamos Airbag, onde há uma necessidade clara de renascer e de salvar o universo (I’m born again (…) I’m back to save the universe). Mas nem tudo é uma crítica alusiva à sociedade, por vezes as músicas debruçam-se sobre as lutas internas do indivíduo, a insanidade a que essas lutas podem conduzir e até mesmo a morte.

Mas apesar desta linearidade e desta conexão existente entre os temas, os Radiohead não consideram que este seja um álbum conceptual. Admitem que existe uma continuidade, mas não se desenvolve perante um só conceito. Yorke refere que apenas se restringiu a retratar o mundo tal como ele é, como se estivesse a tirar Polaroids. Yorke encara o “OK Computer” como se houvesse uma câmara escondida num quarto e é como se observasse cada personagem que lá entrasse. E assim se desenvolve uma personagem diferente para cada canção. No entanto, Yorke distancia-se na observação do mundo e das personagens que nele habitam, avaliando cada momento de forma neutra, mas não isento de emoções. Não fosse o “OK Computer” um álbum carregado de emoção, angústia e de oposição face ao estado actual das coisas. Mas esta angústia pode não transparecer à primeira audição. Por vezes, assiste-se mesmo a um antagonismo entre o que a música retrata e o que a música nos faz sentir. É somente uma das inúmeras particularidades deste álbum.

A nível musical, a banda tentou utilizar um vasto leque de instrumentos, incluindo cordas e efeitos electrónicos. Mas logo à primeira audição do álbum, consegue-se perceber que a guitarra é o instrumento dominante. Uma curiosidade a este respeito: as vozes que estão no álbum são originárias dos primeiros takes, pois Yorke considerou que se fizesse diversos takes e só depois encaixasse o melhor take na música, iria retirar a pureza da voz e tornaria as músicas mais artificiais.

Paranoid Android é o hino de “OK Computer”. Ela é não só a música mais longa do álbum (6:23), mas é também a mais complexa, musicalmente falando. Paradoxalmente, a própria banda diz que esta música foi escrita por piada, depois de diversas noites regadas com álcool.

Outro hino, entre muitos outros que caracterizam o “OK Computer”, é o Karma Police. Basta ouvi-la à primeira vez para perceber que é uma música dividida em duas partes, a primeira mais serena, contudo com letras que consubstanciam a temática da loucura, da insanidade mental e pelo sentimento de distanciamento de si próprio (for a minute there, i lost myself, i lost myself), para posteriormente partir para uma segunda parte instrumental que serve de catártese para a desorientação sentida até então.

Mas a temática da insanidade não fica por aqui. Climbing up the walls aborda claramente a existência do monstro no armário, sendo que este monstro é revelado como não mais do que o próprio eu. And either way you turn / I'll be there / Open up your skull / I'll be there / Climbing up the walls.

E se não bastasse a “experiência” enlouquecedora de Climbing up the walls, logo a seguir aparece a terna e deprimente, mas igualmente sombria, No Surprises. Como já referimos, não é por acaso que a No Surprises aparece no álbum a seguir à Climbing up the walls. Nada acontece por acaso em OK Computer. Depois da tal experiência enlouquecedora, passamos para a sua antítese ou para a etapa final dessa loucura. No surprises tem sido interpretada como o caminho que leva ao suicídio ou então como a demonstração de uma vida pouco preenchida ou como a necessidade de uma alteração e ruptura brutal do quotidiano. O próprio videoclip, com Thom Yorke numa câmara e com a água a subir lentamente, representa essa tentativa de suicídio ou mesmo o próprio suicídio lento que as pessoas vão cometendo na continuidade do seu dia-a-dia. Mas no fim, não é por acaso que Thom Yorke resiste e volta a respirar. É o sinal de que há saída para tudo o que foi retratado anteriormente. É possivelmente a música em OK Computer com uma carga emocional mais pesada, não só através das letras, como também através da música que entra em sintonia e expressa claramente aquilo que o actor está a sentir.

Um último apontamento acerca do grafismo do CD. Todo o artwork é feito através de colagem de imagens e a capa pretende representar uma tentativa de venda de um produto a uma pessoa que vai comprar mas não precisa nem pretendia comprar nada. Mais uma vez, a crítica ao consumismo da sociedade actual. E se repararmos na capa com atenção, aparece lá escrito “Lost Child”. A intenção é clara depois de ouvirmos o álbum com atenção e depois de lermos algumas letras. Somos todos esta Lost Child, perdidos e sem orientação nesta sociedade vilmente criticada pelos Radiohead.

Perguntámos anteriormente se os Radiohead teriam conseguido construir algo para depois destrui-lo, torná-lo altamente desconcertante e igualmente belo. Se “OK Computer” não conseguiu fazê-lo, dificilmente existe outra banda que o consiga.

“OK Computer” é um álbum que deve estar presente na colecção de todos os bons apreciadores de música. Mas preparem-se para ficar desconcertados.

Análise efectuada por Scatterbrain.


Tracklist:
1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For a Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing up the walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist


Músicas de Destaque:
Paranoid Android
Karma Police
The Tourist

Nota final (1/20):
19

Análise: Outloud! - Outloud! (2009)


À primeira vista, o disco de estreia dos Outloud! parecia assumir-se como um clássico dentro do Hard Rock/Heavy Metal tradicional. Mas estávamos enganados. Ou melhor, o próprio álbum é que nos enganou, mas comecemos por apresentar este projecto.

Os Outloud são oriundos da Grécia – quem disse que os gregos não sabem fazer música pesada? – e contam com elementos das bandas de power metal Firewind e Talon. Mas não é só de Power Metal que vive a sonoridade dos Outloud! porque, de facto, se há coisas que caracterizam este colectivo é a sua vontade em quererem fazer algo que toque muitos e variados estilos de música. Influências de Power Metal com misturas de Rock Sinfónico, Heavy Metal Clássico e até um pouco de Glam Rock caracterizam a música dos Outloud! A atitude é claramente Hard Rock com gritos e “come on yeahs” a marcarem as músicas mais mexidas.

Se isso pode ser uma coisa boa, acaba por ser uma das causas possíveis para que este trabalho nos soe um bocado a falso. Porque, em boa verdade, e pegando naquilo que referimos no primeiro parágrafo, os Outloud até parecem ser bons músicos, com músicas cheias de energia e tecnicamente bem executadas mas a verdade é que esta banda parece igualmente não acrescentar nada de novo à indústria da música.

A primeira “What I Need”, seguida das interessantes “We Run” e “Tonite” são boas músicas mas à medida que vamos avançando no disco percebemos que as boas ideias não abundam e que, de um modo geral, não há uma grande inspiração na forma como este material foi escrito.

A voz do cantor que ora tenta ser muito viril nas músicas mais rápidas, ora tenta ser muito meloso nas duas baladas do álbum, não nos convenceu por inteiro. Notámos porém, um bom trabalho de solos de guitarra e de bateria.

Também as letras deixam algo a desejar dada a sua demasiada linearidade. Mesmo assim, Outloud! é um projecto que vale a pena conhecer. Não temos dúvidas que se tratam de bons músicos mas deixamos as nossas reservas relativamente à sua capacidade em recriar o Hard Rock.

Os que gostam de Heavy Metal clássico com uma pitada de atitude Hard Rock poderão apreciar este trabalho.


Tracklist:
1. What I Need
2. We Run
3. Tonite
4. Search for Truth
5. This Broken Heart
6. Breathing Fire
7. Wild Life
8. Broken Sleep
9. Out in the Night
10. Lovesigh
11. Outloud!

Músicas em Destaque:
We Run;
What I Need;
Tonite;

Nota Final (1/20):
13

Análise: Mad Caddies - Keep It Going (2007)


“Keep It Going” marcou o regresso dos Mad Caddies aos lançamentos de originais. Depois de uma carreira invejável dentro do universo Punk Ska, o colectivo tem vindo a conquistar novos fãs ao longos dos seus álbuns. E “Keep It Going” continua a levar a banda por bons caminhos neste estilo de música, ou não fosse o próprio nome do álbum uma alusão à continuação dum caminho comum e bem trilhado.

Gostamos destes rapazes, temos que admitir. A sua música é divertida, refrescante, interessante e bem executada. A secção rítmica, pautada por uma óptima bateria e baixo, é excelente; e as secções de metais – trompete e trombone – fazem as nossas delícias. A voz do vocalista Chuck Robertson é eficaz e assenta que nem uma luva na sonoridade da banda.

As influências são mais que muitas embora neste trabalho não sejam tão variadas como no anterior álbum, “Just One More”. Aqui as músicas remetem-nos para um reggae estival que nos faz lembrar as longas tardes de verão em que nos sentamos a beber algo refrescante, numa esplanada com uma praia repleta de gente como fundo.

Tudo muito bem feito, com muito ritmo, com muita diversão. “Keep It Going” apesar de ser fácil de ouvir, é um álbum que dificilmente nos sai da cabeça dada a sua qualidade e refrões inteligentemente fabricados. O único defeito que lhe poderemos mesmo apontar é a ausência duma variedade de subgéneros musicais tão espantosa como a que a banda nos deu no anterior álbum.

Entre as nossas preferências estão “Reflections”; “The Dirge”; “Lay Your Head Down”; e “Tired Bones”, embora a nossa preferida seja a febrilmente dançante “Without You”, que sintetiza tudo aquilo que caracteriza os Mad Caddies: diversão, alegria e boa qualidade na composição.

Nem todas as pessoas poderão gostar de Ska – é preciso ser mesmo uma pessoa divertida com vontade de se divertir ainda mais! – mas decerto qualquer pessoa que goste do género musical , adorará este “Keep It Going”.

Venham mais, que nós somos dos que adoramos!

Tracklist:
1. The Dirge
2. Backyard
3. State of Mind
4. Today
5. Without You
6. Reflections
7. Lay Your Head Down
8. Tired Bones
9. Coyote
10. Don't Go
11. Pyramid Scheme
12. Souls For Sale
13. Riding For A Fall
14. Whatcha Gonna Do

Músicas em Destaque:
Without You;
Reflections;
The Dirge;
Lay Your Head Down;
Tired Bones;

Nota Final (1/20):
17

Análise: Sixx A.M. - The Heroin Diaries Soundtrack (2007)


Uma obra-prima. É assim que podemos classificar este trabalho. Às vezes, as melhores coisas da música chegam-nos de repente, sem que tenhamos previsto a sua realização. Neste caso, foi isso que aconteceu. De um momento para o outro, demos connosco a ouvir Sixx A.M. e a achar o álbum “The Heroin Diaries Soundtrack” um trabalho espectacular.

Convém porém revelar quem faz parte do projecto: Sixx A.M. é a banda, ou melhor, o projecto musical que uniu Nikki Sixx, famoso baixista dos Motley Crue; DJ Ashba, influente guitarrista dos Beautiful Creatures e actual guitarrista dos Guns n’ Roses; e James Michael, cuja obra tem sido mais conhecida pela produção de álbuns de artistas como Meat Loaf, Alanis Morissette, Scorpions ou Papa Roach.

Todo o álbum é conceptual contando a história verídica do baixista Nikki que teve um passado conturbado com fortes experiências com drogas pesadas, levando-o a ter duas overdoses. Felizmente, Nikki Sixx nunca morreu – embora tenha sido dado como clínicamente morto por duas vezes – e escreveu um livro em que conta a sua história. Esse livro tem o nome “The Heroin Diaries” e foi o ponto de partida para a concepção do disco com o mesmo nome.

E apesar de, à partida, podermos estar já à espera de mais um disco Hard Rock sem nada de muito novo, tendo em conta os envolvidos na concepção do trabalho, temos que admitir que, assim que carregamos em play, somos levados para um mundo que está assente em dois vértices: por um lado, o vértice da realidade e a força que o mesmo tem, ao contar uma história que efectivamente se passou mesmo e que é macabra e violenta. Por outro lado, existem elementos nos arranjos instrumentais que nos transportam para um universo de fantasia semelhante a qualquer filme de Tim Burton. De facto, os coros lembram muitas vezes os coros das músicas do célebre “Nightmare Before Christmas”, compostas por Danny Elfman, como são exemplo a “Xmas In Hell” e a “Intermission”.

A mistura conseguida por estes três músicos não poderia ter sido mais bem conseguida. E a juntar isso, ainda temos uma produção de luxo com muitas orquestrações e coros megalómanos. Muitas vezes a voz que acompanha as músicas é falada levando-nos mesmo a achar que é connosco, ouvintes, que Nikki Sixx quer falar, de forma a passar-nos a mensagem de que tudo o que tem a ver com drogas é um erro que nos pode arrastar até à morte.

O discurso e as passagens entre músicas estão muito coerentes e a história é contada de uma forma fluída como se se tratasse dum filme ou duma peça de teatro.

Ao longo do disco podemos encontrar passagens sinfónicas, mais rockeiras e num registo mais calmo. Qualquer uma das músicas é excelente. É pois por isso que temos dificuldades em escolher as nossas preferidas mas arriscamos: “Life After Death”, “Pray for Me”, “Intermission”, “Dead Man's Ballet”, “Girl with Golden Eyes” e “Courtesy Call”.

Talvez a única crítica que podemos tecer a este trabalho imaculado seja a forte tendência de algumas músicas caírem no refrão fácil de modo a ficarem mais automaticamente no ouvido. Contudo, isto é um mal menor e não afecta a enorme criatividade por trás de todas as músicas. A carreira de Nikki Sixx sempre foi profícua em boa música mas este é o trabalho que consideramos melhor em todo o seu repertório.

James Michael é o cantor de serviço e faz um belíssimo trabalho nas vozes. Também DJ Ashba introduz guitarras muito melodiosas e com bons pormenores técnicos. Mas o que salta mais ao ouvido são mesmo as orquestrações e acima de tudo, os coros. Estas músicas são a prova viva em como as bandas – de todos os géneros musicais – devem apostar em coros pois os mesmos têm o dom de tornar uma música boa em algo genial.

Foi o que se passou neste trabalho. Muitas vezes dizemos que um determinado álbum é obrigatório para quem gosta de Hard Rock. “The Heroin Diaries Soundtrack” dos Sixx A.M. é ainda mais do que isso: é um álbum obrigatório para toda a gente que gosta de boa música. Imperdível!

Tracklist:
1. X-Mas in Hell
2. Van Nuys
3. Life Is Beautiful
4. Pray for Me
5. Tomorrow
6. Accidents Can Happen
7. Intermission
8. Dead Man's Ballet
9. Heart Failure
10. Girl with Golden Eyes
11. Courtesy Call
12. Permission
13. Life After Death

Músicas em Destaque:
Life After Death;
Pray for Me;
Intermission;
Dead Man's Ballet;
Girl with Golden Eyes;
Courtesy Call;

Nota Final (1/20):
19

Análise: Bang Tango - Dancin' On Coals (1991)


Antes de mais, temos que opinar o seguinte: os Bang Tango sabem fazer boa música! Não há música que tenhamos ouvido que não revele bons pormenores técnicos e procura de algo diferente. “Dancin’ On Coals”, o segundo álbum do colectivo que sucedeu o aclamado “Psycho Café”, mostra-nos uma nova faceta da banda com muitas mais passagens funk onde o grrove do baixo é constante. As guitarras são muito competentes e a percussão talvez pudesse ser um pouco mais original mas é aceitável. Joe Lesté, o mentor e vocalista da banda, interpreta as músicas com toda a singularidade a que nos tem habituado.

Nesta mistura eclética de Heavy Metal, Glam Rock e Funk Rock, registamos sempre bons apontamentos e uma voz que ou se adora ou se detesta dada a sua aspereza. Nós tendemos a gostar embora consideremos que Joe Lesté haveria de se tornar um melhor vocalista em “Ready To Go” de 2004 e no próprio projecto paralelo “Beautiful Creatures”.

Muitas vezes denota-se uma crueza de som exagerada em algumas músicas e isto leva-nos a crer que a produção do álbum em estúdio podia estar um pouco mais trabalhada sem no entanto estragar a rigidez e peso das músicas. São vários os arranjos com metais – como saxofone e trompete – que tornam as músicas mais festivas e originais.

As nossas músicas preferidas são “Untied And True”, “Dancin’ On Coals”, “Last Kiss”, “Dressed Up Vamp” e a divertida “Cactus Juice” cujo riff psicadélico nos faz lembrar os Led Zeppelin. Contudo, a melhor do álbum – e uma das melhores da carreira da banda – é “Midnight Struck” onde a criatividade dos Bang Tango se ultrapassa a si mesma. É uma balada original com coros Gospel e excelentes arranjos de guitarra. A voz de Joe Lesté e a própria letra da música também nos tocou. O claro e óbvio momento alto do disco. Simplesmente maravilhoso.

Compete-nos levantar uma questão pertinente sobre os Bang Tango: se os músicos são bons, se há muitas e boas influências musicais, se o vocalista faz um trabalho interessante nas vozes... porque razão então, os Bang Tango não são uma banda com mais importância no universo Hard Rock? Pois bem, a verdade é que também nós não sabemos a resposta. O seu primeiro álbum até recebeu bastante airplay na MTV mas de facto isso nunca catapultou a banda para uma audiência mainstream.

Talvez lhes falte aquele “je ne sais quoi” que caracteriza as bandas que conseguem distinguir-se das demais. Músicas boas mas não extraordinariamente boas. Talvez seja isto que melhor defina os Bang Tango para as massas.

Mas independentemente daquilo que as massas tenham a dizer – ou a não dizer – sobre esta banda, estamos certos que uma pessoa que saiba apreciar bom Hard Rock considerará os Bang Tango uma boa banda.

Para todos os que gostam de Rock com atitude e garra, este é um álbum que vale a pena conhecer! Ideal para ouvir no carro com o volume das colunas bem elevado!

Tracklist:
1. Soul to Soul
2. Untied and True
3. Emotions in Gear
4. I'm in Love
5. Big Line
6. Midnight Struck
7. Dancin' on Coals
8. My Saltine
9. Dressed up Vamp
10. Last Kiss
11. Cactus Juice

Músicas em Destaque:
Midnight Struck;
Dancin’ On Coals;
Untied and True;
Dressed Up Vamp;
Last Kiss;
Cactus Juice;

Nota Final (1/20):
16

Análise: Aerosmith - Nine Lives (1997)


De todos os álbuns dos Aerosmith, aquele que é mais experimental e talvez mesmo conceptual é este “Nine Lives”, de 1997. Álbum que seguiu o multiplatinado e excelente “Get a Grip” de 1993, foi muito aguardado por todos, levando a que as exigências feitas à banda pelos seus milhões de fãs, fosse muito grande. Temos a certeza que muitos foram os fãs que ficaram desiludidos com este trabalho mas, dado que consideramos “Nine Lives” como um álbum absolutamente excelente, a nossa razão para o descontentamento de alguns fãs e crítica é o forte rompimento com o passado que este trabalho imprimiu à carreira do colectivo norte-americano.

De facto, aquilo que podemos dizer depois de já termos dissecado este disco centenas de vezes é que, realmente, os Aerosmith esmeraram-se na criação destas 14 músicas.

Se não existem hits tão gigantes como em “Pump” ou “Get a Grip” – embora não devamos esquecer que a música “Pink” foi um mega hit, um pouco por todo o mundo – a verdade é que “Nine Lives” demonstra uns Aerosmith bastante eclécticos que sabem fazer música de qualquer tipo desde que o denominador criativo seja o Hard Rock.

Neste caso, “Nine Lives” afasta-se daquilo a que a banda já nos tinha habituado por várias razões muito embora sejam as passagens por ritmos e sonoridades mais orientais, nomeadamente da Índia, que parecem ser a maior diferença. Também... mas não só.

O tema da Índia que está presente no excelente artwork do disco – que é um dos melhores artworks dentro de toda a música onde já pudemos ter a oportunidade de pôr as mãos – tal como em muitas músicas como a homónima “Nine Lives”, “Taste Of India” ou “Fallen Angels”. Outra diferença que encontramos é a presença de músicas bem mais Hard com guitarras mais pesadas, solos mais sujos e pratos de bateria mais fortes.

As vocalizações de Steven Tyler aparecem muito inspiradas tal como a guitarra de Joe Perry. Apesar de Aerosmith ser uma banda comercial e de ter, naturalmente, muitas músicas comerciais, não consideramos “Nine Lives” muito radio friendly tirando, claro está, os singles mais óbvios do álbum. Pelo contrário, encontramos músicas onde se vê que o colectivo deu um passo em frente na criação de melodias e estruturas musicais diferentes daquilo que até então tinha feito, pondo de parte – mesmo que de uma forma inconsciente – as exigências e tendências do mercado mainstream da altura.

As nossas preferidas são “Hole In My Soul” (uma das melhores baladas da banda), “Falling Angels” (com uma mensagem e uma melodia absolutamente tocantes), “Ain’t That A Bitch” (que é absolutamente genial devido à tónica trágica oferecida por Steven à música), “Taste Of India” (um absoluto exercício musical de como fundir com classe música oriental e puro Hard Rock... adoramos!) e, porque não, “Pink” (que não passa de uma música com tempo e melodia fáceis mas que é suficientemente catchy e divertida para fazer-nos gostar dela!).

Sem dúvida e sem hesitações, é um dos álbuns que mais gostamos dos Aerosmith sendo um dos trabalhos mais marcantes da década de 90 dentro do universo do Hard Rock.

Recomendamos!

Tracklist:
1. Nine Lives
2. Falling in Love
3. Hole in My Soul
4. Taste of India
5. Full Circle
6. Something's Gotta Give
7. Ain't That a Bitch
8. Farm
9. Crash
10. Kiss Your Past Good-Bye
11. Pink
12. Falling Off
13. Attitude Adjustment
14. Fallen Angels

Músicas em Destaque:
Hole in My Soul;
Taste of India;
Ain't That a Bitch;
Pink;
Fallen Angels;

Nota Final (1/20):
18

Análise: Vains Of Jenna - The Art Of Telling Lies (2009)


Andávamos de olho nos Vains Of Jenna. Já tinhamos percebido que a vontade destes rapazes era muita e parece que, finalmente, eles vieram para conquistar o universo do Hard Rock! E não poderíamos estar mais satisfeitos com isso!

Depois de lançarem “The Demos” e “Lit Up/Let Down”que mesmo não sendo geniais deixaram o aviso que aquilo que os Vains Of Jenna queriam era rockar ao mais alto nível com influências da época dourada do Glam Hard Rock de Los Angeles.

E acreditem que estes senhores fizeram um álbum que os pode deixar orgulhosos. “The Art Of Telling Lies” é o mais recente disco e veio confirmar que os Vains Of Jenna são uma banda de Hard Rock que tem muitas cartas para dar no universo do Rock.

Com uma sonoridade que parece juntar Mötley Crüe com os Guns n’ Roses de “Appetite For Destruction”, este trabalho está absolutamente espectacular.

As músicas são simples mas sempre recheadas de muita genica e atitude. A voz do vocalista Lizzy DeVine é bastante “sleazy” e assenta que nem uma luva na sonoridade da banda. Existem também alguns pormenores interessantes nas guitarras. A bateria e o baixo não são excepcionais mas cumprem a sua função.

Os Vains Of Jenna tomaram uma opção que foi muito conseguida ao terem feito um álbum com apenas 10 músicas. Normalmente até achamos isso pouco num disco mas preferimos pouco mas bom do que muito e descartável. E de descartável este álbum não tem nada.

É fácil perceber que todas as músicas tiveram uma especial atenção por parte do colectivo. Isso agrada-nos muito pois são várias as bandas a cederem à tentação de fazer 4 ou 5 músicas muito boas e depois desenrascar outras 6/7 músicas de qualidade mais duvidosa e lançar um álbum no mercado.

“The Art Of Telling Lies” é um album que se ouve do princípio ao fim sem passarmos nenhuma faixa e onde vamos vivenciando uma óptima experiência Hard Rock com uma boa dose de Glam Rock. Há músicas a toda a velocidade, há baladas sem serem demasiado lamechas, há uma interessante cover de “Refugee” do Tom Petty e ainda há espaço para experimentar alguns pormenores originais.

Tudo feito com vontade, atitude e procura de música superior à que já tinha sido feito pela banda.

As nossas preferências recaem nas viciantes “Mind Pollution”, “Paper Heart”, “Enemy In Me”, “I don’t Care” e “Get It On” mas salientamos que não existe nenhuma música que não gostemos neste disco.

É um álbum excelente e um dos nossos preferidos de 2009. Em vez “The Art Of Telling Lies” dever-se-ia chamar “The Art Of Making Good Rock Music”.

Obrigatório!

Tracklist:
1. Everybody Loves You When You're Dead
2. Mind Pollution
3. Refugee
4. I Belong To Yesterday
5. Paper Heart
6. Get It On
7. Enemy In Me
8. Better Off Alone
9. I Don't Care
10. The Art Of Telling Lies

Músicas em Destaque:
Mind Pollution;
Paper Heart;
Enemy In Me;
I Don’t Care;
Get It On;

Nota Final (1/20):
18